quinta-feira, abril 22, 2010

Fanzines, esses desconhecidos (XL) - "Os fanzines, vítimas do vírus da iliteracia" - Artigo publicado no fanzine açoriano "Transform/Ar-te"




Apesar de o primeiro fanzine português, o Argon, ter surgido em Janeiro de 1972, continua a haver sempre quem pergunte "o que é um fanzine", quando se escreve ou se fala sobre o assunto.
E a explicação é simples: é um magazine editado por um (ou uma) fã.
Ou seja: é um magazine amador, sem fins lucrativos, feito por um (uma) entusiasta de qualquer tema:
banda desenhada, ilustração, música, cinema ("gore", em especial), ficção científica, poesia,
enfim, qualquer tema pode ser tratado num fanzine, embora, incontestavelmente, a BD seja o tema de maior projecção.
O neologismo surgiu pela contração da palavra fan com zine, a última sílaba de magazine.

Mas, com frequência, a pergunta hoje em dia é feita da seguinte maneira: "O que é uma fanzine?"

Isto é: mesmo não sabendo do que se trata, a maior parte das pessoas (especialmente os mais jovens) começa logo por, erroneamente, adoptar o género feminino.

Tem a ver com a citada deturpação muito em voga, desde há uns anos, o texto escrito por mim e publicado no fanzine açoriano Transform/Ar-te, editado em Angra do Heroismo, Ilha Terceira, pela Associação Cultural Burra de Milho.

É esse texto, afixado no topo deste "post", cuja leitura agradeço que seja feita pelos visitantes do blogue.

(Apesar de o texto em imagem parecer pouco nítido, como muito bem sabem bastar-lhes-á clicar-lhes em cima, os textos ficarão com um corpo suficientemente legível! Mas se acharem esse aumento insuficiente, mantenham o cursor sobre a imagem até aparecer um ícone com um sinal + dentro de um círculo, ou um outro de formato quadrado cor de laranja, com uma seta azul oblíqua em cada ângulo, no canto inferior direito; cliquem sff sobre este quadrado e a imagem aumentará para o dobro)

Apelo aos meus amigos:

1) Professores/as Rui Zink (tb libretista operático, romancista, autor de BD e estudioso da matéria, com livro publicado), José Eduardo Rocha (tb músico operático e com breve experiência como autor de BD), Luís Diferr (tb autor de BD), Antero Valério (tb autor de BD/cartunista), Paulo Guinote (tb argumentista e bloguista), Manuel João Ramos (tb autor de BD), Bruno Silva (tb autor de BD);

2) Professoras/professores que apreciam BD, Helena Feliciano, Rezendes Costa, Maria do Carmo, Clara Botelho, Fernanda Azevedo e Teresa Chaby, e ao 
professor/fanzinista/bloguista Paulo Guinote;

3) Autores de BD que fazem palestras, "workshops", oficinas, ateliês:
José Ruy (este quase com o dom da ubiquidade), Pedro Leitão, José Abrantes, Paulo Monteiro, Paulo Patrício, Mário Freitas, Marcos Farrajota, Paulo Marques, Phermad, João Mascarenhas, Diniz Conefrey;

4) Professores do curso universitário de BD e Ilustração na ESAP/Polo de Guimarães, Pedro Vieira Moura, Marco Mendes, Miguel Carneiro, Pedro Nora, Isabel Carvalho;

5) Autores de BD/profes de BD e Ilustração no AR.CO, Nuno Saraiva, Daniel Lima, Jorge Nesbitt, João Fazenda, Filipe Abranches;

6) Autores de BD/Ilustração, profes na ESBAL, Zepe e Richard Câmara;

7) e a todos/as professores/as que leiam este "post",
que me apoiem na defesa do ponto de vista linguístico correcto, sempre que ouvirem alunos a usar a citada versão errónea, não facilmente erradicável, hélas, porque faz parte da moda oral jovem...
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Para verem outros textos sobre o tema dos fanzines postados neste blogue, bastar-lhes-á clicar no item "Fanzines, esses desconhecidos" que aparece no rodapé

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O presente "post" é resultante de, desde há alguns anos a esta parte, a ler e a ouvir esta asneira, "a fanzine", mas a gota de água final teve a ver com dois fanzines ("Evasão" e "Vomit Core") que registei recentemente a finalizar um levantamento sobre esse tipo de magazines amadores editados em 2008, em postes datados de Abril 11 e Março 12 , no meu outro blogue, o "Fanzines de Banda Desenhada", visitável no endereço
http://fanzinesdebandadesenhada.blogspot.com/

Nota: 
Uso propositada e sistematicamente o vocábulo magazine, e nunca "revista", porque a segunda palavra é um dos motivos desta galopante alteração.
Exemplo: um dia, após uma palestra que fiz acerca de fanzines na ESAD, nas Caldas da Rainha, diz-me uma jovem: "também vou fazer uma fanzine".
Perguntei-lhe: por que motivo diz "uma" fanzine?
Resposta dela: "porque é uma revista".

E eu contrapus: "Nessa ordem de ideias, se um pinheiro é uma árvore, teremos de dizer "uma" pinheiro?

7 comentários:

Geraldo Brito (Dado) disse...

Bem interessante.
Parabéns pelo blog!

Geraldes Lino disse...

Grato pelo elogio, Geraldo.
Presumo que você seja brasileiro.
Sabe que temos na História de Portugal um protagonista importante chamado Geraldo Geraldes, o Sem Pavor :-)
Abraço.
GL

teresa disse...

amigo concordo contigo mas já perdeste a batalha, o fanzine travestiu-se e agora é fanzina (ou como tu tanto detestas ) as fanzines...
nada a fazer, sinais dos tempos e os mais jovens näo querem saber de picuinhices linguísticas eles cresceram com as fanzines e pronto...arranja outro cavalo que este virou mula

Geraldes Lino disse...

Cara amiga Teresa
Se eu me desse ao trabalho de elaborar uma lista das pessoas que tenho conseguido convencer, por todo o país, de Norte a Sul (até tipos que dão cursos sobre BD, mas não vou nomear aqui ninguèm), agora até os açorianos que editaram aquele fanzine (eu não o escrevi, mas dei-lhes o artigo pq eles tb já estavam a dizer "as fanzines", e confessaram-se convencidos), verias que tenho ganho vãrias batalhas.
Mas tb tenho consciência que vou perder a guerra, e já tenho dito que cada vez estou mais resignado à ideia de que o substantivo fanzine, no futuro, vai passar a ter os dois géneros, o masculino e o feminino.
Mas vou sempre batalhando, pq seria hipócrita se me calasse, eu que conheço os fanzines há quase quarenta anos.
Uma vez, após uma palestra (mais uma) acerca do tema, um jovem argumentou que a língua é matéria maleável, sempre em transformação. Respondi-lhe que conhecia esse argumento, tb andei na universidade e leio muito sobre linguística, mas uma coisa é a nossa língua estar constantemente a absorver palavras estrangeiras, a criarem-se outras formas de dizer e escrever vocábulos antigos, mas pedi-lhe para me indicar uma só palvra da língua portuguesa que tivesse mudado de género.
Ele na altura disse que não se lembrava de nenhuma, mas que ia tentar encontrar. E eu prometi-lhe pagar-lhe um jantar quando ele encontrasse um exemplo.

teresa disse...

se calhar säo os próprios fanzines que estäo a mudar,porque com a possibilidade de editar melhor quantidades minimas há quem sonhe que faz revistas com tiragem de 150 exemplares e näo se lembra de lhes chamar fanzines ...tb queimei alguns neurónios a pensar em mudanca de sexo linguistico...ia postar aqui umas coisas brejeiras e depois cortei-me

Geraldes Lino disse...

Cara amiga Teresa
Não há memória de mudança de género em nenhuma palavra portuguesa. Só ha esta do fanzine para a fanzine, que está a contecer e é quase irreversível, reconheço, graças à mais elevada taxa de analfabetismo e iliteracia que caracteriza este país periférico e pobre, mas que possui uma juventude arrogante e convencida da sua superioridade sobre os "cotas".
No que concerne a mudança de género, o que também acontece, e mais uma vez devido a ignorância, é haver pessoas que dizem, e escrevem, "o síndrome", quando o correcto é "a síndrome", e isto tem a ver com a etimologia da palavra, mas as pessoas, quando fazem erros, não gostam de o reconhecer, e eu conheço um autor de BD, consagrado, que deu o título no masculino com a palavra síndrome, e debateu-se furiosamente, quando lhe chamei a atenção para o erro, tentando arranjar justificações para o facto.

Geraldes Lino disse...

Teresa
Hoje, como estou a escrever acerca do teu fanzine Gambuzine, vim dar uma volta pelos postes anteriores, e respectivos comentários.
Acerca do uso incorrecto do feminino em vez do masculino, devido a ignorância, ocorreu-me agora outro exemplo que já verifiquei na prática: há pessoas que, ao referirem-se a peso, dizem "uma grama" :-( A última vez que isso aconteceu até foi na estação de correios onde tenho o meu apartado. A pessoa que me atendeu disse que a encomenda pesava "vinte e uma gramas".
Chamei-lhe a atenção para o erro, e ela respondeu-me que era assim que todos diziam! (ignorância acompanhada de falta de um grama de humildade para reconhecer o erro!)