quinta-feira, abril 29, 2010

Banda Desenhada portuguesa em jornais (CXVIII) Autores: João Maio Pinto e Rui Lacas (desenho), Luís Leal Miranda (argumento)




Para os apreciadores da arte da Figuração Narrativa, vulgo Banda Desenhada, constitui grande satisfação quando um jornal usa parte do seu espaço a publicá-la.
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Prancha 1) É o que está a acontecer este ano com o jornal i, aos sábados, desde a edição de 3 de Abril: nesse dia surgiu a rubrica Almanaque, com uma página inteira preenchida por excelente prancha de apresentação, em quadricromia, desenhada, legendada e colorida por João Maio Pinto, sob argumento/guião de Luís Leal Miranda.
Como diz a legenda em rodapé "ALMANAQUE é uma bd com histórias a cores baseadas em factos cor-de-rosa".
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Prancha 2) Uma semana depois, no dia 10, foi a vez do episódio intitulado "O Último Voo da Águia Vitória", símbolo do clube ésse-éle-bê, onde também entra um cavalheiro a usar o seu balão de fala para dizer o seguinte:
"Cancelem o programa de criação de dragões",
e mesmo não estando o retrato/caricatura rigorosamente parecido, dá para perceber que é o cromo-presidente do fê-quê-pê quem dá ordens pelo telefone.
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Prancha 3) Na 3ª prancha, publicada a 17 de Abril, o título promete uma orgia de gozo: "Calçada da Fama à Portuguesa"... Uma lady em foco nos nossos média cor-de-rosa, ali chamada de Lili, com cara chapada de Caneças, é a protagonista de um episódio irónico e cáustico, não só no que concerne à sofreguidão dela pelos cinco minutos de fama, como também à emaranhada teia da burocracia do aparelho estatal.
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Prancha 4) A 24 de Abril participam na bd semanal mais duas personagens importantes: o sr. Silva (parafraseando o sr. João, da Madeira, ao referir-se ao presidente da República portuguesa de que ele é cidadão) e respectiva esposa, logo na primeira vinheta.
A acção desta narrativa gráfica de pendor humorístico e caricatural localiza-se na Alameda das Almas Livres, 1º A, Céu (um delírio de humor sem peias) e, cito, "o Todo-Poderoso prepara-se para preencher a Declaração de Impostos"...
Neste mais recente episódio, a BD, mantendo o mesmo argumentista/guionista Luís Leal Miranda, passou a ter uma dupla de grafistas: Rui Lacas apresenta-se como autor do desenho (digamos que é quem faz o layout) e João Maio Pinto reserva-se agora para arte-finalizar (passagem a tinta, ou tintar, acto que o legendador definiu pela nomenclatura inglesa, "inking"), sendo que a arte-final inclui a colorização.
Só não é indicado quem faz a legendagem, mas como se mantém a mesma fonte, deduzo que continue a ser João Maio Pinto, que, aliás, faz um trabalho correctíssimo, digno de ser seguido por quem quer fazer trabalho de legendagem de BD como deve ser: a letra usada nos balões é vertical, enquanto que a dos cartuchos é inclinada.
Quem tem experiência de leitura de BD (tanto europeia como americana) sabe que é este o correcto modelo usado quase sempre desde sempre.
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Para se verem os nomes dos autores que já foram focados nesta etiqueta (ou categoria), nas 117 postagens já efectuadas, em baixo fica a respectiva lista:

(CXVII) - Fev. 10 - Autor: Bruno Rafael
2010 (daqui para cima)

(CXVI) - Dez. 20 - Autor: Nuno Saraiva
(CXV) - Out. 22 - Autor: Richard Câmara
(CXIV) - Set. 25 - Autores: Jorge Coelho, Patrícia Furtado, Ricardo Venâncio, Nuno Duarte (arg.)
(CXIII) - Jun. 17 - Autor: Pilar
(CXII) - Abr. 19 - Autor: Nuno Saraiva
(CXI) - Março 6 - Autor: Nuno Saraiva

Nota: Os autores abaixo indicados colaboraram no jornal MU (Mundo Universitário) mas não tinham ficado aqui registados nas respectivas datas, em anos anteriores
Jun. 17 - A.Pilar
Abril 19 - Nuno Saraiva
Março 6 - Nuno Saraiva
Jan. 27 - Pedro Alves J. Mascarenhas Ricardo Cabral Algarvio Mota Zé Manel JCoelho Pepedelrey Carlos Marques e Sílvia Matos e Lemos Kalika (sob poema de Herberto Helder) Carlos Rocha José Lopes Francisco Sousa Lobo

(CX) - Jan. 27 - "post" com as bedês dos autores acima indicados, que foram publicadas no "Mundo Universitário" em 2004, início da minha coordenação da rubrica BD naquele jornal
2009 (daqui para cima)

Dez. 26 Ricardo Cabral
Out. 21 - Joana Sobrinho
" 14 - Nuno Duarte ("Outro Nuno")
" 8 - Diogo Carvalho e Phermad
Set. 23 - Jorge Mateus
" 16 - Paulo Marques
Ag. 15 - Derradé (3 tiras de BD), Álvaro (2 tiras), Pedro Alves (2 tiras)
" 17 - Nuno Sarabando (d) e Hugo Jesus (a)
" 12 - Miguel Marreiros (d) e André Oliveira (a)
" 10 - Derradé
" 4 - Marte
Maio 21 - Pedro Zamith
" 20 - Algarvio
" 12 - Pedro Alves
" 7 - Agonia Sampaio e André Amaral
Abril 29 -Pedro Massano
" 22 - Marco Mendes
" 15 - Luís Afonso
" 5 - A. Pilar
Março 28 - Luís Louro
" 10 - João Lam
" 8 - José Abrantes
Fev. 25 - GEvan
" 18 - Pedro Bürin (d.), Mário Freitas (a.)
" 11 - Mariana Perry (d.), André Oliveira (a.)
Jan. 28 - Antero Valério
" 27 - Rodrigo
" 21 - Hugo Teixeira
2008 (lista acima)

Dez. 23 - Sko Nihil Vo (desenho), Hugo Sousa (cor)
" 16 - Pepedelrey
" 8 - Relvas
" 1 - Phermad
Nov. 25 - Nuno Saraiva
" 23 - Algarvio (Alexandre Algarvio)
" 18 - José Pedro Costa e Arlindo Fagundes
" 11 - Derradé
Out. 31 - Agonia Sampaio
" 25 - Manaças (Pedro Manaças)
" 16 - Álvaro
" 12 - Pedro Alves
" 10 - Lam (João Lam)
" 3 - Autores: Ricardo Reis (d), Cristiano Baptista (cor), André Oliveira (arg.)
Set. 25 - Antero Valério
" 13 - Joba e ML
Jul. 12 - Luca
Junho 4 - Esgar Acelerado
Maio 31 - Algarvio
" 28 - Ricardo Cabral
" 14 - José Carlos Fernandes
" 12 - Filipe Andrade (desenho), Filipe Pina (argumento)
" 1 - Vasco Gargalo
Abril 24 - Zé Manel
" 18 - Arlindo Fagundes (arg. e desenho), José Pedro Costa (cor) Março 30 - Pedro Nogueira
" 23 - José Lopes
" 16 - Zé Paulo
" 7 - Lam
" 1 - Ricardo Correia (des.), André Oliveira (arg.), Ana Maria Baptista (colorido)
Fev.12 - Pedro Zamith
" 7 - Nazaré Álvares
" 7 - Marco Mendes
Jan. 23 - Ângela Gouveia
" 16 - Filipe Goulão
2007 - (lista acima)

Dez.6-A.Rechena
Nov.28-José Lopes
" 21-Pedro Alves
" 14-Nuno Saraiva
" 8-Pedro Morais
Out.31-Ricardo Ferrand
" 24-Algarvio
" 17-Ricardo Cabral
" 11-Álvaro
" 5-Pedro Massano
Set.27-Derradé
" 24-Nuno Saraiva
Ainda em 2006, mas após as "férias grandes" (entre 8Jun. e 24Set, lapso de tempo em que o MU não foi editado), a lista de colaboradores vê-se daqui para cima

Jun.8-Estrompa
Maio 31-António Valjean
" 24-Pedro Nogueira
" 20-Zé Manel
" 16-Ricardo Cabral e Jorge Cabral
" 12-Pepedelrey
" 4-J.Mascarenhas
Abril 5-Cheila
Março-29 -Pedro Morais
" 20-Joana Figueiredo
" 15-Pedro Nogueira
Fev.14-A.Rechena
" 8-Derradé
Jan.19-Pedro Alves
2006 (lista daqui para cima)
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Para ver os 117 textos anteriores basta clicar sobre a etiqueta "Banda Desenhada portuguesa nos jornais" inserida no rodapé

23 comentários:

teresa disse...

o joäo maio pinto é um bom desenhador,apesar de näo saber fazer retratos como se tem visto no jornal em que participa; as caras säo täo vagamente aproximadas e täo pouco parecidas quer na idade quer nos contornos, como se ve aqui neste jovem sr cavaco, devia enfiar-se num estilo que combina melhor com o seu talento e deixar os retratos para gente como o carrilho

Geraldes Lino disse...

Teresa: o João Maio Pinto tem muito talento, tenho visto muitas ilustrações dele, e conheci as suas primeiras participações em BD quando substituiu o Rui Ricardo no Blitz, na fase em que ainda era um jornal.
O Rui. sob argumento do Esgar Acelerado (aliás, Arnaldo Pedro), era quem desenhava uma série que durou anos no Blitz. O Rui, saturado, parou, e quem o substituiu, de maneira brilhante, foi o João Maio Pinto.
Isso não impede que concorde contigo quando lhe apontas limitações na vertente das caricaturas, ainda por cima foste buscar para comparar um génio da caricatura. o André Carrilho.
Mas comparado com esse, todos os caricaturistas portugueses ficam ofuscados.

teresa disse...

näo disse que ele näo tinha talento, simplesmente sublinhei que com todo o talento que tem faz uns retratos muito fracos, para saber caricaturar é necessário saber retratar
e isso o joäo maio pinto näo sabe

Santos Costa disse...

Amigo Geraldes

Concordo com a Teresa no que tca à apreciação que ela faz das caricaturas - porventura retratos - do Maia Pinto. Isto, como é evidente, não deslustra o seu grande valor como desenhador, com um traço perfeito, agradável e notoriamente enquadrado na mensagem que consegue transmitir através da caricatura das personagens (personagem também é feminino; tenho lido o personagem em peças de reconhecidos escribas).
Puxando um pouco a brasa ao mester, quanto a caricaturas (tu deves lembrar-te, ilustrei as edições do semanário "O Diabo" durante cinco anos. Nunca mandei nenhuma para publicação sem previamente mostrá-la à minha mulher ou a amigos para ver se, a frio e à primeira, reconheciam o "boneco". Se hesitassem, rafazia o desenho.
Saiu mais um álbum meu, também de lendas, com capa dura e 64 páginas coloridas. Como fiquei de te arranjar um outro, pertencente ao espólio de um município, ficam duas "dívidas" pendentes.

Santos Costa disse...

Caríssimo GL
Como é meu (mau) hábito, nisto de "blogar", publico primeiro e corrijo depois.
Ora, onde está tca, que podia ser tribunal central administrativo, se grafado em maiúsculas, deve ler-se "toca".
Esqueci-me de fechar o parêntesis em (tu deves lembrar-te).
Gosto de ser primoroso no que escrevo, independentemente de como e para quem escrevo. Só não respeito o novo acordo ortográfico, porque não concordo inteiramente com ele.
Sinceramente, sei que tu respeitas a nossa língua quando falas e quando escreves e, neste particular, esta é a forma mais evidente de patriotismo.
Aproveito o ensejo para te enviar um abraço de amizade, lapso que considero mais grave no anterior comentário.

Geraldes Lino disse...

Teresa
Já concordei contigo no que se refere à faceta menos boa de João Maio Pinto quando tem de fazer caricaturas.
Sem discoordar no geral, chamo-te a atenção para um pormenor importante em que não terás reparado: na 4ª pranchs que mostro, a última, até sublinhei o facto de ter passado a ser do Rui Lacas o desenho inicial a lápis, o "layout", enquanto que o João Maio passou a ser o arte-finalista (ou "inker", como aparece na legenda)e colorista.
Portanto, o Cavaco Silva, que apontaste como mau exemplo de caricatura, a culpa principal será do Lacas, só secundariamente do João M.Pinto pela falta de semelhança da caricatura com o modelo.

Geraldes Lino disse...

Caro amigo Santos Costa
Caríssimo
Entraste bem neste diálogo que eu estava a ter com a minha amiga Teresa Câmara Pestana, ilustradora, autora de BD e editora do excelente fanzine Gambuzine.
Quando digo que entraste bem refiro-me ao facto de teres escrito "caricaturas, porventura retratos". De facto, também considero que as imagens das personagens mais conhecidas inserem-se, estilisticamente, numa zona intermédia entre a caricatura e o retrato.
Sempre vi retratos desenhados por ti de figuras públicas, outras vezes históricas, nas várias obras que tens editadas em álbum, e também na extensa colaboração que tiveste, durante anos, no semanário "O Diabo" (que eu comprava "obrigado" pelo facto de haver lá uma página semanal de banda desenhada). E, na maior parte dos casos, achei que se reconheciam com facilidade as personagens que participavam nos episódios escritos e desenhados por ti.
Mas na área da caricatura, repito o que disse à Teresa: o André Carrilho é o mais talentoso entre os portugueses que trabalham naquela área muito especializada.
Aliás, ele também já fez BD, onde demonstrou igualmente invulgar talento.
Quanto à tua mais recente obra editada em álbum, desta vez dedicada a lendas (presumo que de Portugal), desde já te agradeço o exemplar prometido.
E no que se refere à tal peça de BD pertencente ao acervo de um Município que não indicas qual, também te ficarei grato se me conseguires um exemplar.
Grande abraço de amizade.

teresa disse...

discordo, tenho visto no I jornal desenhos do joäo maio pinto acerca de personalidades da mundanicidade e confirma o que eu digo;
ele näo é bom a fazer retratos e é de tal maneira flagrante que näo percebo porque é que ninguem nota...

teresa disse...

há caricaturistas sem nome que säo óptimos retratistas...

Manuel Alves disse...

Ou vai ou racha! :D

Geraldes Lino disse...

Repito, Teresa, que já concordei contigo em que o João Maio Pinto não é um bom retratista, ainda menos caricaturista (safa-se, mas tem limitações, bem visíveis nas primeiras 3 pranchas que reproduzi, onde, por exemplo, fez um fraco retrato semi-caricatural de Pinto da Costa, julgo que conheces a cara, é o presidente do Futebol Clube do Porto). Estamos pois em consonância de opinião crítica.
Ele é, isso sim, um excelente ilustrador, tem feito óptimas capas de livros, e tb fez boa banda desenhada de carácter cómico no semanário Blitz, em substituição do Rui Ricardo.
O que eu disse, no que se refere à quarta prancha que reproduzi no blogue, é que tinha havido uma mudança no elenco, passou a colaborar o Rui "Lacas", e a caricatura do Cavaco Silva tinha sido feita pelo João Maio sobre desenho inicial do Rui Lacas. Portanto, neste caso, o João limitou-se a passar a tinta (a "tintar"?) a caricatura base do Rui.
Do que podemos concluir é que, na faceta de retratista e/ou caricaturista, nem um nem outro é especialista.

Geraldes Lino disse...

Acrescento: mas se tivessem contratado um bom retratista ou um bom caricaturista, se calhar a qualidade da banda desenhada seria pior.
Não é fácil conciliar as duas vertentes...

Geraldes Lino disse...

E quanto a esses retratos/caricaturas de figuras mundanas e/ou políticas que o J.M.P. andou a fazer para o jornal i, não foste apenas tu que reparaste na pouca semelhança, eu tb reparei, e julgo que muitas outras pessoas terão reparado.
O que acontece é que o J.M.P. vive da Ilustração e da BD, e é btt conhecido aqui em Lisboa, deduzo que quando o convidaram para fazer esse trabalho, ele não recusou pq achou que seria capaz de fazer (qual é o artista que tem consciência das suas limitações? e qual o desenhador que tem a coragem de recusar um trabalho na área do desenho, se precisa de dinheiro para pagar a renda?)

Manuel Alves disse...

Pronto, vou dar a minha opinião séria:

Parece ser de comum acordo dos opinantes que o artista em questão não é lá muito talentoso na área específica do retrato/caricatura. Portanto, é um ponto assente (neste debate). No entanto, se o dito artista não cumpre convenientemente com aquilo que se espera da sua prestação numa dada publicação, por que razão lhe há-se ser apontada toda a responsabilidade? Como já aqui foi dito, desenhar é o seu ganha-pão e, da maneira como as coisas estão, recusar trabalho é uma decisão arriscada. O que é certo é que ele não obrigou ninguém (digo eu) a contratá-lo e a mantê-lo na função desempenhada. Conclusão: se um determinado artista não cumpre com aquilo que se espera do seu trabalho, a pessoa responsável pelo supervisionamento do dito trabalho deve ter o bom senso de procurar outro artista que cumpra com os requisitos (que, neste caso, parecem prender-se com boa capacidade de fazer retratos/caricaturas).

teresa disse...

chega de complacencia com incompetencia
esse é um grande mal portugues que tem de ser erradicado senäo näo se vai a lado nenhum,e esse argumento é conhecido em lisboa* (ou amigo ou porque fez um favor ou merdas do género) säo argumentos pobres näo abonam a teu favor

há muitos artistas a precisar de pagar a renda de casa

* provincianismo lisboeta tambem fede näo é só o do porto

teresa disse...

eh pá e aquelas merdas do blitz näo eram boa desenhada
eram uma xaropada technicolor para tótós

Santos Costa disse...

Concorde-se ou não, a Teresa animou esta apreciação e criticou - segundo me parece - com frontalidade.
Temos de admitir (todos nós) que a banda desenhada é um espaço onde o autor se expõe, através da sua arte, e não pode estar isento de críticas. O leitor e o admirador da 9ª Arte - que devia ser 1ª, porque a seguir explico - tem esta madura apreciação positiva ou negativa, livre e arbitrária, o que só ajuda quem "vive" ou "não vive" do trabalho. Sem leitores, sem observadores, não há BD, a não ser aquela que os autores façam para si próprios ou para um restrito grupo de amigos.
Fazer BD consoante a arte particular, pode parecer mais "bem feita" ou "menos bem" feita, sem que uma ou outra não tenha os seus seguidores. Hugo Pratt não é propriamente um desenhador de figuras "bem desenhadas", mas é, para mim, um dos melhores autores de BD.
Já quanto à caricatura e ao retrato, estou de acordo com a Teresa. Ou se faz para ser identificado "sem legenda" ou sai um qualquer boneco anónimo.
Por que considero a BD a 1ª Arte?
Muito simplesmente porque foi esta a primeira arte do homem no sentido da comunicação, mesmo antes da Escrita; e a Escrita começou, como todos sabem, como manifestação de desenhos, como são exemplo os hieróglifos e a escrita fenícia.
As cavernas e outras estruturas rupestres naturais, encontram-se pejadas de desenhos (Lascaux, Altamira, Foz Côa, etc,), em sequências de movimentos entre animais e pessoas. Não é isto aquilo que hoje podemos designar por uma BD prática, essencial e de acervo histórico?

Geraldes Lino disse...

Teresa
Ponto 1: eu considero que o João Maio Pinto é um bom desenhador (veja-se a prancha inicial de apresentação), e acho que fizeram bem em escolhê-lo para aquele projecto, não tem nada a ver com complacência com a incompetência.
Ponto 2: eu não disse que se deve dar trabalho a incompetentes só porque precisam de pagar a renda da casa.
O que eu disse foi, e repito: "deduzo que quando o convidaram para fazer esse trabalho, ele não recusou pq achou que seria capaz de o fazer", e acrescentei: "qual o desenhador que tem a coragem de recusar um trabalho na área de desenho, se precisa de dinheiro para pagar a renda?".
Ora acho abusivo que deduzas do que escrevi que deram ao João Maio Pinto a tarefa de fazer aquela bd porque ele precisava de dinheiro; o que eu disse, isso sim, foi que ele aceitou fazê-la porque precisava de dinheiro para pagar a renda, mesmo sabendo que teria de incluir caricaturas na bd, e julgo que ele terá a noção das suas limitações nessa área.
De resto, talvez consciente dessa dificuldade - ou alguém do jornal terá observado isso -, ele, nessa prancha que aparece o Cavaco Silva, que achaste, com razão, que parecia um Cavaco muito mais novo, apenas a passou a tinta, e é o que passou a fazer, passar a tinta os desenhos-base do Rui Lacas.
Ponto 3: quando disse que ele é conhecido em Lisboa, não estou a defender que sejam apenas os que moram em Lisboa que têm direito a trabalhar, o que quis dizer foi que, como o jornal i é editado aqui na capital, o que terá acontecido é ele ter sido convidado por alguém do jornal que o conhece.
Mas há um ilustrador/autor de BD que vive perto de Loulé, o José Carlos Fernandes, e que colabora em jornais e revistas de Lisboa.

Geraldes Lino disse...

Quanto às bandas desenhadas que eram publicadas no Blitz, o autor gráfico de 90% da série foi um desenhador do Porto, o Rui Ricardo, que a certa altura, ao fim de uns anos a fazer aquela prancha caricatural e humorística, desistiu de repente, e o argumentista "Esgar Acelerado", também do Porto, convidou o João Maio Pinto para substituir o Rui Ricardo, com a incumbência de continuar a desenhar no mesmo estilo anterior, o que fez durante algum tempo, até ao desaparecimento da página de BD, com a competência necessária para não se notar a mudança de desenhador daquela série.

Geraldes Lino disse...

Santos Costa: concordo com essa tua afirmação de que um autor de BD - como qualquer outro artista, seja de que área for, Ilustração, Caricatura, Pintura, Escultura, Teatro, Cinema, Música, etc. - fica exposto, através da sua arte, e não pode estar isento de críticas. Aliás, esta quase mesa redonda começou por aí, e é isso que temos estado a fazer.
Apenas acontece, o que é perfeitamente natural, haver diferenças de pontos de vista, que se centraram especialmente no pormenor da escassa verosimilhança das caricaturas (de Pinto da Costa, Lili Caneças e Cavaco Silva) feitas pelo João Maio Pinto (mas a do Cavaco foi desenhada pelo Rui Lacas).
E eu já disse que estou de acordo nesse pormenor, embora sem que se deva perder de vista que uma banda desenhada tem várias componentes, e a caricatura até não faz parte integrante da BD (pode aparecer, mas não é a componente principal).
E na restante parte das três pranchas feitas totalmente pelo Pinto, continuo a afirmar que vejo boa qualidade gráfica (desenho e colorido), bem patente em especial na prancha inicial de apresentação.
Quando dizes que uma caricatura, ou retrato, qualquer que seja o caso tem de ser identificável sem legenda, eu obviamente concordo, e embora gostando da parte da BD no conjunto das três primeiras pranchas (acho mais fraca a do Rui Lacas, a que tem a caricatura do Cavaco, apesar de ele ter sido editado em França e premiado no Festival Internacional da Amadora), também critico negativamente a caricatura do Pinto da Costa por estar pouco parecida.
Em todo o caso, a Lili Caneças não está nada mal, e o resto, em termos de BD figurativa, está boa, na minha opinião.
Por isso, não vejo a incompetência de que João Maio Pinto é acusado pela Teresa.

Geraldes Lino disse...

E volto a dizer: sei de bons caricaturistas que não são capazes de fazer BD, portanto as caricaturas ficariam boas mas a banda desenhada ficaria má.
Em contrapartida os bons autores de BD raramente são bons caricaturistas: o José Carlos Fernandes, um dos mais conceituados banda-desenhistas portugueses actuais, é fraco nessa faceta.

teresa disse...

calma aí eu näo acusei o joäo maio pinto de incompetencia mas sim o jornal que o escolheu como retratista de figuras mundanas
(tens essa mania de meteres os teus pensamentos na minha boca)
e eu sei lá quem é o joäo maio pinto e se ele precisa ou näo de pagar a casa , essa informacäo foste tu que a desencantou...sim , as pranchas do blitz ...ele é bom imitador o estilo dele näo é própriamente uma inovacäo é um estilo importado da américa em tempos idos ...
se fores ver o meu primeiro comentário o que disse é que ele devia escolher um género mais ADEQUADO AO SEU TALENTO ...
o josé carlos fernandes tambem näo é um caricaturista nem um retratista INDEPENDENTEMENTE DO SEU TALENTO
as suas caras teem todas os olhos muito juntos,uma testa muito alta e as mäos säo sempre iguais com dedos finos mesmo as sapudas
pronto tenho dito na qualidade de critica e apreciadora/avaliadora de bd
à parte disso os meus desenhos säo borröes retratos faco-os raramnete e com grande dificuldade mas quando me empenho num retrato coisa rara(falta de prática e de fluídez)espero que a pessoa retratada se identifique nele senäo tenho de continuar a faze-lo
só para dar a entender que näo estou aqui no botabaixo com um olho no lugar do j.m.p...
näo vás tu fantasiar mais ....
ehehehehehe

teresa disse...

o álvaro desenrasca-se em ambas as coisas
ou se é desenhador ou näo
e o desenhador como o pedreiro tem de saber fazer as coisas
ou de ir fazendo até ficarem apresentáveis