sexta-feira, novembro 05, 2010

Autógrafos desenhados (XIV) - Azpiri

Nos festivais de banda desenhada, um dos aspectos que mais entusiasmam os apreciadores é a obtenção de desenhos autografados ou, no mínimo, de autógrafos nos álbuns, com dedicatória (daí que no Festival Internacional de Bande Déssinée de Angoulême essas sessões sejam chamadas de "dédicaces").

Como poderia eu resistir a esse entusiasmante apelo? Não resisti, obviamente, e desde há um pouco mais de trinta anos tenho-me mantido a aumentar essa preciosa colecção, o que levou o primeiro director da Bedeteca de Lisboa, João Paulo Cotrim, a convidar-me para eu comissariar uma exposição baseada nesse numeroso acervo. 

Recusei, por achar que, pelo facto de todos os desenhos terem dedicatórias dirigidas ao meu nome, daria azo a que os habituais maldizentes falassem em exibicionismo ou narcisismo...

Como estamos ainda no período de permanência do 21º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, vem a propósito mostrar o desenho autografado (ou "autógrafo desenhado", expressão que criei para esta rubrica) que me foi oferecido naquele evento amadorense por um autor cujo nome e obra me são familiares desde há muito, Azpiri.
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Azpiri, Alfonso

Azpiri, de nome completo Alfonso Azpiri Mejia, autor de banda desenhada, nasceu em Espanha, Madrid, em 1947.
O início do agora consagrado autor espanhol deu-se na revista Trinca em 1971, e no seu currículo constam colaborações em várias publicações espanholas da especialidade, designadamente Cimoc, 1984 e Comix Internacional; na italiana L'Eternauta; e nas americanas Heavy Metal e Penthouse Comix.
Nestas suas diversas participações ressalta a sua essencial tendência para três tipos de BD: a de temas fantásticos, a infanto-juvenil, e a que se dedica à vertente erótica.
Ao longo destes quase quarenta anos de actividade, Azpiri tem a seu crédito uma vasta produção:


1971 - "Dos fugitivos en Malasia" (revista Trinca, sob argumento de Sesén);
1978 - "Zephyd" (revista Cimoc, sob argumento de Cidoncha);
1979 - "Lorna y su robot", uma heroína a fazer lembrar "Barbarella", aparecida na revista Mastia, e mais tarde, 1981, na Cimoc. Apesar do título mencionar um robô, afinal eram dois, R2D2 e C3PO.
1980 - "Los Vagabundos del Infinito";
1982 - "Pesadillas" (revista 1984, sob argumento dele próprio);
1983 - "El Cómic Vivo" (na revista Comix Internacional, sob argumento próprio);
1984 - "Las Nuevas aventuras de Lorna y su robot" (Cimoc Extra Color);
1988 - "Mot" (bd destinada ao público jovem, publicada no El Pequeño País, suplemento do jornal espanhol El País;
1989 - "Storia d'Amore" (in L'Eternauta)
1991 - "Otros Sueños", a trabalhar sob textos de vários argumentistas;
1992 - "Reflejos" (in Cimoc, sob argumento de Juan Antonio de Blas);
1994 - "El bosque de Lump" (bd infantil no El Pequeño País, suplemento do jornal El País);
1994 - "Bethlehem Steele" (na revista Penthouse Comix), sob argumento de George Caragonne, Mark McClellan e Thornton;
1994 - "Reflejos" (revista Cimoc Extra Color, desta vez sob argumento próprio).
 


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As treze postagens anteriores dedicadas a este tema podem ser vistas através de um simples clique sobre a etiqueta "Autógrafos desenhados", que se vê no rodapé.
Se o fizerem terão oportunidade de ver desenhos improvisados de (por ordem alfabética):
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1. Aragonés
2. Carlos Roque
3. Enrique Breccia
4. Gary Erskine
5. John Buscema
6. Juan Cavia
7. Milo Manara
8. Moebius
9. Mordillo
10.Neal Adams
11.Quino
12. Solano López

4 comentários:

teresa disse...

curioso faz-me lembrar o traco da m.j. careto

Anónimo disse...

Geraldes Lino
Como sei que não és vaidoso nem narcisista, sim uma voz de grande respeitabilidade neste mundo que nos mantém «a respirar melhor» num momento histórico em que nos falta muito o ar respirável, (re)pego na ideia de João Paulo Cotrim e poder-se-ia pensar em sugerir a uma instituição da área uma grande exposição com, arrisco, centenas de Autógrafos desenhados.Que estão em muitas casas de pessoal que todos os anos visita o AmadoraBD.
Miguel Ferreira

Anónimo disse...

Geraldes Lino
Como sei que não és vaidoso nem narcisista, sim uma voz de grande respeitabilidade neste mundo que nos mantém «a respirar melhor» num momento histórico em que nos falta muito o ar respirável, (re)pego na ideia de João Paulo Cotrim e poder-se-ia pensar em sugerir a uma instituição da área uma grande exposição com, arrisco, centenas de Autógrafos desenhados.Que estão em muitas casas de pessoal que todos os anos visita o AmadoraBD.
Miguel Ferreira

Geraldes Lino disse...

Miguel Ferreira
Agradeço as palavras amáveis. Mas quanto a essa hipótese, pela parte que me toca não me seduz pelo motivo apontado.
Abraço.
GL