sábado, janeiro 21, 2012

Violência/Tortura na BD (VI) - Autores: Joe Kubert e Adam Kubert


A violência e a tortura atingiram níveis inimagináveis durante a 2ª Guerra Mundial, apesar de mostrados à saciedade em imagens do cinema e da banda desenhada.

Sgt Rock é um militar americano que se move no cenário daquela guerra, e embora seja um herói dos "comics" americanos, não ostenta as características que mais distinguem as figuras que preenchem a galeria heróica da BD americana.

Esta singularidade fica bem provada no episódio incluído na revista Wednesday Comics, contado entre os números 1 e 12 (de 8 de Julho a 23 Setembro 2009), onde o sargento Rock é torturado pelos nazis, resiste estoicamente aos violentos interrogatórios, e acaba por ser salvo pelos seus soldados, guiados por uma partisan, neste caso uma combatente judaica.

O episódio teve argumento de Adam Kubert e desenhos de Joe Kubert - autor acerca do qual escrevi uma breve biobibliografia no post de 27 Nov.2011 - graças a um desenho e respectivo autógrafo (ver na coluna "Categorias" da home page, e clicar no item "Autógrafos desenhados")..
------------------------------------------------------------
Para ver as cinco postagens anteriores bastará clicar na etiqueta "Violência/Tortura na BD" visível no rodapé

4 comentários:

Bongop disse...

Olá Geraldes
Partisan, ou partizan, eram soldados irregulares da resistência contra a ocupação do regime Nazi. Geograficamente o termo é oriundo da ex Jugoslávia, mas estendeu-se a quase todos os países do leste europeu. Não era resistência judaica, aliás poder-se-ia considerar mais resistência comunista do que outra coisa, pois eram muito ajudados pelo regime de Moscovo. Isto não invalida que houvesse muito judeu nas suas fileiras.

Abraço

Geraldes Lino disse...

Olá Bongop
Antes de mais,agradeço-lhe a visita,e o seu cuidado em comentar o meu texto.

Diz você que os "partisans" (sempre vi escrito assim e não com z) eram soldados irregulares contra a ocupação das tropas nazis.
Ora sempre tive a noção de que a definição de "partisan" tinha a ver com qualquer membro de tropas irregulares (como você diz, de acordo) formadas ao acaso por indivíduos que se opunham à ocupação do seu país.
Relativamente a esse termo "partisan" (originado durante a 2ª Guerra Mundial) sempre o vi conotado com os elementos pertencentes a movimentos de resistência à dominação alemã, nos vários países subjugados, total ou parcialmente, por mais ou menos tempo, pelos alemães, como sucedeu com a França e a Jugoslávia, na 2ª Guerra Mundial.
E neste último país, claro que houve "partisans" que resistiram às forças do Eixo.
Mas, contrariamente ao que você diz, e salvo opinião em contrário, a palavra parece-me francesa, e terá sido criada na resistência em França.
Mas voltando ainda ao episódio de BD, criado pelos Kubert: considerando eu válido, por conseguinte, o tal sentido do termo já generalizado do vocábulo "partisan", relacionado com todos os indivíduos que resistiram aos alemães, chegamos ao episódio sob observação do Sgt. Rock, e a uma vinheta (que não reproduzi, porque o tema não era esse) em que uma mulher judia diz:
"We resistance fighters are called 'partisans'".
E ela estava armada, ao lado dos soldados americanos, a enfrentar os soldados nazis.
Você admite que houvesse muitos judeus na resistência aos alemães, o que é perfeitamente plausível. E, de acordo com a definição que eu aceito, esses judeus constituiriam uma bolsa de resistência judaica, a que a mulher pertencia.

Abraço.

Bongop disse...

Geraldes
Eu estudei este assunto a fundo quando andava na escola. Nem me vou alongar mais sobre isso, mas deixo-te um link da Wiki que apesar de não estar completamente correcto consegue informar bastante bem:

http://en.wikipedia.org/wiki/Partisan_%28military%29

Abraço

Geraldes Lino disse...

Nuno Amado
Tenho de reconhecer que não tive estudos tão politizados quanto os teus, nem no curso liceal, nem na frequência do curso de Filologia Germânica, pelo que não aprendi nos bancos escolares (contrariamente ao que aconteceu contigo) o significado de "partisan", mas aprendi em várias leituras onde eram focadas actividades de resistência à ocupação nazi.
E tomei conhecimento de terem existido activos grupos de resistentes (formados por pessoas de várias nacionalidades, e porque não também judeus?) em alguns países europeus.

Na banda desenhada em apreço, naquela prancha que reproduzi, lê-se na vinheta inicial: "Europe... The Western Front... 1943"; e mais à frente: "Our mission was to extract a group of partisans".
Quanto à mulher judia (uma civil) que aparece algumas pranchas/páginas depois, ela diz a frase que já citei na resposta anterior, e repito:
"We resistance fighters are called partisans".
E é difícil acreditar que sendo os judeus tão acossados pelos nazis, não houvesse bolsas de "partisans" formadas por pessoas dessa nacionalidade, ou, pelo menos, a integrarem grupos de "partisans" franceses, por exemplo.
Mas admito que tenhas razão quando dizes que não era "resistência judaica", pelo menos ela não terá existido com relevância histórica.

Para terminar: contrariando a tua afirmação tão peremptória de que o termo é oriundo da ex. Jugoslávia, além de ter confirmado, tal como tinha dito, que a palavra é francesa, fui visitar o endereço que indicaste da Wikipedia, e está lá o seguinte:
"(...) The term [partisan] can apply to the field element of resistance movements, an example of which are the civilians that opposed Nazi German rule in several countries during World War II (...) The French adopted term "partisan" (...)".

Abraço.