domingo, julho 09, 2006

Visão, revista de Banda Desenhada Portuguesa (VIII) - Falando hoje com... Carlos Barradas

Viver não custa, título da bd a cores da autoria (desenho e argumento) de Carlos Barradas, publicada na revista Visão (nº3, de 1 de Maio de 1975)

Após entrevistas com Victor Mesquita, Pedro (Pedro Massano), Isabel Lobinho, Corujo Zíngaro e Zé Paulo, é hoje a vez de Carlos Barradas.
Para completar o lote dos Nove Magníficos (uma versão minha, mais abrangente), falta ainda entrevistar Duarte, Nuno Amorim e Zepe. Lá chegaremos.
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CARLOS BARRADAS (Carlos Manuel Barradas Teixeira, Lisboa, Fevereiro de 1947)

Carlos Barradas e eu encontrámo-nos em Oeiras, onde vive. Fomos até às docas lá do sítio para a nossa conversa. Que, como tem sido hábito, começou pela pergunta:

- O que significou para ti a Visão?
CB - Foi uma maneira de fazer uns bonecos, de deitar cá para fora a criatividade que a gente tinha.
A propósito de Visão: sabes como aquilo apareceu?

- Já alguém me contou uma vez. Dá-me a tua versão.
CB - Carlos Soares, que era jornalista e foi o argumentista daquela história dos ceguinhos publicada lá na revista Visão (nota do bloguista-entrevistador: a bd Clave Sem Sol, de que mais abaixo se reproduz a primeira prancha), foi meu colega no Liceu D.João de Castro. Ele adorava os meus desenhos, e as caricaturas que eu fazia.
Um dia perguntou-me se eu não queria fazer uma revista de banda desenhada, porque ele conhecia uma pessoa com "massas" - era construtor civil, e constou-se mais tarde que talvez quisesse arranjar uma coisa qualquer em que não se importava de ter prejuízos, porque seria um subterfúgio em relação a obter vantagens nos impostos.
E assim surgiu a hipótese de haver uma revista de boa qualidade para publicar BD portuguesa em Portugal.

- Julgo que isto - a história do início da Visão - nunca tinha sido escrita, fica agora registada, preto no branco, pela primeira vez. Mas voltando à questão acerca do que significou para ti aquela revista de BD...CB - Foi importante, fez descobrir uma data de gente da BD que estava escondida. A Visão foi uma montra para mostrar o produto nacional, que era tão bom como o dos outros, apesar de que nós não tínhamos escola como os franceses e os belgas.

- Em Abril de 1975, estudavas ou trabalhavas?
CB - Estudava. Estava na Escola Superior de Belas Artes e no IADE.

Foto recente (Maio 06) de Carlos Barradas

- Que fizeste em BD depois de 1976, após o fim da Visão?
CB - Fiz O Capital em Banda Desenhada, editado pelo maluco do Sérgio Guimarães - sim, ele era mesmo louco, era personagem para um filme de Almodôvar, se o Almodôvar o tivesse conhecido, teria feito um filme sobre a vida dele. Depois trabalhei com o Mário Henrique Leiria - também outra personagem - ele escrevia e eu desenhava, outras vezes fazia eu um desenho e ele escrevia uma história inspirada no desenho.
A seguir surgiu a ideia do Henrique Espírito Santo, produtor de Cinema, de fazer um álbum em BD para explicar como é que se faz um filme, desde a pré-produção, produção, rodagem, pós-produção, etc., os passos todos. Era uma coisa mais ou menos didáctico-pedagógica. Entretanto, como ainda não havia editora, e iam aparecendo outros trabalhos, a coisa foi ficando para trás, e olha...

- Em vez de BD, o que é que tens feito para ganhar a vida?
CB - Trabalhei como realizador e produtor - mais realizador do que produtor - na RTP, durante vinte e tal anos.
Agora estou a trabalhar como "free-lancer", a fazer de tudo - ilustração, "design", logos.
Quando saí da RTP ainda estive como Art Director da TV Medicina - um canal codificado só para médicos - e colaborei com a NBP para realizar a novela "A Filha do Mar".
Nos tempos mais recentes, em banda desenhada apenas participei naquele álbum Novas "fitas" de Juca & Zeca, que tu próprio editaste.


- Há algum projecto de BD que estejas actualmente a realizar, ou que gostasses de concretizar num futuro mais ou menos próximo?CB - Estou agora com uma hipótese de projecto que talvez se concretize - depende do orçamento - porque a editora achou o preço por prancha, que eu quero, muito caro.
Um canalizador, um marceneiro, ganham mais que nós, autores de BD.
Mas, convenhamos, eles, os editores, também sabem em que é que se vão meter, porque o mercado da Banda Desenhada é um mercado em que se vende pouco. 


Clave sem sol, título da bd da autoria de Carlos Barradas (desenho) e Carlos Soares (argumento), publicada na revista Visão nº 1, de 1 de Abril de 1975-----------------------------------------------------------------------------
"Posts" remissivos sobre a revista VISÃO de Banda Desenhada:
1ª Parte - Textos generalistas acerca da revista: 2005-(I) Dezembro, 10; (II) Dezembro, 11
2ª Parte - Entrevistas a autores-artistas da revista:
2006
(III) Maio, 30-Victor Mesquita
(IV) Maio, 31- Pedro Massano
(V) Junho, 13 - Isabel Lobinho
(VI) Junho, 15 - Corujo Zíngaro
(VII) Junho, 30 - Zé Paulo
Há ainda outro "post" (data: Junho 19), este dedicado ao tema Lisboa na Banda Desenhada, em que se podem observar duas imagens (óptimas, vale a pena vê-las) da autoria de Zé Paulo, ambas extraídas da revista Visão

7 comentários:

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