quarta-feira, dezembro 24, 2008

Zé Paulo, autor de BD - 1937-2008

Fotografia recente (Junho 08) de Zé Paulo
 Prancha do episódio-paródia "Esperman" com que Zé Paulo colaborou no fanzine Efeméride (nº 3-Jun.08) dedicado ao tema genérico Super-Homem no Século XXI

 
Fim-de-semana... num futuro muito próximo é o título da banda desenhada que Zé Paulo criou expressamente para o fanzine Tertúlia BDzine, cuja última prancha está sobre esta legenda

Faleceu ontem, 23 de Dezembro, pela 19h00, vítima de cancro, Zé Paulo (ou ZEPAULO, como ele costumava assinar), de seu nome completo José Paulo Abrantes Simões. Chegou o fim da aventura para um notável artista da BD, ilustrador, caricaturista, pintor.
Adeus, amigo Zé Paulo.
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Tive a honra de receber de Zé Paulo as suas últimas colaborações na BD, a derradeira das quais está visionável na obra colectiva "Super-Homem no Século XXI".
Ainda neste blogue se pode ler a entrevista que lhe fiz, acompanhada de fotografia (já na época o Zé Paulo andava em tratamento de quimioterapia, com efeitos notórios para quem o conhecia bem).
Quem estiver interessado em ler essa derradeira entrevista, e reprodução de pranchas suas na revista Visão, basta localizar o "post" de Junho 30, 2006.
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Biobibliografia de Zé Paulo publicada no fanzine Efeméride nº 3, a acompanhar a prancha do episódio autoconclusivo intitulado Esperman pertencente ao tema genérico Super-Homem no Século XXI


ZÉ PAULO
1937/2008

Biobibliografia


José Paulo Abrantes Simões. Lisboa, 4 de Novembro de 1937.
Curso de Pintura da Escola de Artes Decorativas António Arroio.

Em 1974 foram publicadas bandas desenhadas suas na revista alemã Pardon. Mas a sua produção mais importante foi divulgada na revista Visão, que teve doze números editados entre 1 de Abril de 1975 e Maio de 1976.

Para ali fez várias obras de grande nível e variados temas, algumas delas realizadas em colaboração, cujos títulos merecem aqui ficar registados:  
Abril Águas Mil (uma prancha a preto e branco) e Os Loucos da Banda (seis pranchas a cores), ambas as BD's no número 1; Fábula de Um Passado Recente, sete pranchas a p/b (número 4, 15 de Maio de 75) e H20, duas pranchas a pItálico/b (número 5, 1 Junho), ambas com argumento de Victor Mesquita; no n.º 7, Outubro, tem trabalho duplo: Histórias que a minha avó contava paItálicora eu comer a sopa toda (1.º episódio numa prancha a p/b), e a A Batalha de Rzang, 4 pranchas a p/b; no n.º 8, 10 Setembro, mais uma parte da série Histórias que a minha avó contava (...) e o episódio auto-conclusivo O Espantalho, em quatro pranchas a p/b; no n.º 9, de 20 Janeiro 76, outra parte das Histórias que a minha avó contava (...), iniciando-se neste número a narrativa gráfica A Família Slacqç com o episódio Bem Escondidinho, em quatro pranchas a p/b; no n.º 10 está o segundo episódio, Encontro com o Rato Mickey, mais quatro pranchas no n.º 11, O Teu Amor e Uma Cabana, quatro pranchas e no n.º 12, derradeiro da revista, com data de Maio 76, são publicados os últimos dois episódios quatro e quinto (como sempre, a quatro pranchas cada), dessa notável obra da BD portuguesa.
Em 1977 estreou-se no formato de álbum, com capa a cores e a bedê a preto e branco, A Direita de Cara à Banda (Desenhada) que tinha feito para o jornal Diário, com o título Os Direitinhas, de que foi aproveitada uma parte para o álbum.
Em 1979 escreveu e desenhou Memórias do Último Eléctrico do Carmo, bedê a preto e branco publicada no suplemento portador do curioso título DL Fanzine, do jornal Diário de Lisboa.
Colaborou com bedês de caracter infantil na revista Fungagá da Bicharada.
Na revista Lx Comics (n.º 3, Inverno 1991) fez uma prancha para o cadavre exquis Elxis, que tinha sido iniciado no n.º anterior por Bandeira, e foi continuada no seguinte por Pedro Burgos, mas o tal cadáver esquisito não chegou a ser acabado, porque a Lx Comics — que era propriedade de editora identificada pela sigla MFCR, apoiada pelo pelouro da cultura da Cãmara Municipal de Lisboa — finou-se nesse quarto número, talvez abafada pelos calores do Verão de 1991, ou por outra razão qualquer que não vem agora ao caso tentar deslindar.
Zé Paulo participou na obra colectiva Novas "fitas" de Juca e Zeca, editada num fanálbum em Julho de 2000, com o sarcástico episódio Satanás 3, Deus 1

Para o mesmo editor-amador têm sido as suas mais recentes colaborações em BD, todas em 2007: no fanzine Efeméride (n.º2 - Fevereiro), de novo a parodiar um herói clássico, "Príncipe Valente no Século XXI", com a sátira O Valente do Casal; depois, no fanzine Tertúlia BDzine (n.º 115 de Julho, n.º 117 de Setembro e n.º 120 de Dezembro) fez, respectivamente, as seguintes bandas desenhadas (todas com quatro pranchas a p/b): Fim-de-Semana... Num Futuro Muito Próximo, Príncipe Valente no Século XXI Descendo a Calçada dos Cavaleiros em Contramão, e A Mão Cheia, tratando-se esta última de bd redesenhada sobre original da década de 1980.

E para o renascido fanzine Eros (n.º10) também datado de 2007, quarto trimestre, escreveu e desenhou em quatro pranchas a p/b, a história Luisinha, uma peça ao mais recente estilo ZÉPAULO, como ele ultimamente assinava.
Derradeiramente, está presente no terceiro número do fanzine Efeméride em mais uma banda desenhada, intitulada Esperman, integrada na obra colectiva Super-Homem no Século XXI, onde voltou a trabalhar a cores, género que pouco cultivou na BD, mas que dominava com eficácia e sensibilidade.

Faleceu em 23 de Dezembro de 2008.
 Geraldes Lino
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Recebi nos comentários um emocionado e muito bonito texto de Ágata Simões, filha de Zé Paulo, texto esse que ela tinha exposto num painel da casa mortuária, juntamente com uma ilustração bastante ampliada da autoria de seu pai. Aqui fica o texto, mantendo a apresentação com que foi escrito:

Pai
A tua partida já estava anunciada se bem que
nunca o quis ver, e tão pouco acreditar.
É uma dor tão profunda, que nem a consigo designar.
Seguiste atrás de uma nova luz...
Luz essa que brilhando caminhou na tua direcção,
e foste em silêncio...
Sem um adeus...
Sem um beijo...
E partiste, deixando um ar pesado no teu quarto,
no meu peito.
Meu querido pai.
Meu grande amigo.
Meu mestre.
Foste e serás sempre o exemplo de homem para
os teus netos, que tanto aprenderam contigo.
És para eles um pai, um professor, um grande
amigo de paródia, e por todas essas vivências,
eles choram a tua partida, mas decerto que
jamais te esquecerão.
E eu?
Até um dia...
Quando o sol não me acordar...
Talvez um dia, quando as estrelas brilharem
numa noite de luar...
Talvez encontre no desabrochar de uma flor o teu
sorriso.
Mas até lá penso que estou no paraíso só de
pensar que talvez um dia te encontrarei.
Ágata Simões

13 comentários:

André Oliveira disse...

Uma notícia muito triste e uma enorme perda para a banda desenhada nacional. Dá minha parte só posso deixar o mais sincero obrigado por tudo o que nos deixou.

Bongop disse...

Boas festas em um feliz ano novo, para ti e para a tua família!
:)

looT disse...

Caro Geraldes um Feliz Natal

Abraço

Felizardo Cartoon disse...

Todos nós percorremos ao longo da nossa existência, muitos quilómetros, literalmente falando . Quem se dedica à ilustração ; ao cartune e à B.D., como foi o caso do Zé Paulo,faz muitos quilómetros de traço e trilha os caminhos da vida, através da linha .

o Zé Paulo, Chegou ao fim da linha da vida, mas deixou um traço firme, no seu legado artístico .

Bom Natal, para todos os "visitantes" do blogue e para o seu dinamizador, Geraldes Lino .

Anónimo disse...

Pai

A tua partida já estava anunciada se bem que nunca o quis ver, e tão pouco acreditar.

É uma dor tão profunda, que nem a consigo designar.

Seguiste atrás de uma nova luz...

Luz essa que brilhando caminhou na tua direcção, e foste em silêncio...

Sem um adeus...

Sem um beijo...

E partiste, deixando um ar pesado no teu quarto, no meu peito.

Meu querido pai.

Meu grande amigo.

Meu mestre.

Foste e serás sempre o exemplo de homem para os teus netos, que tanto aprenderam contigo.

És para eles um pai, um professor, um grande amigo de paródia, e por todas essas vivências, eles choram a tua partida, mas de certo que jamais te esqueceram.

E eu?

Até um dia...

Quando o sol não me acordar...

Talvez um dia, quando as estrelas brilharem numa noite de luar...

Talvez encontre no desabrochar de uma flôr o teu sorriso.

Mas até lá penso que estou no paraíso só de pensar que talvez um dia te encontrarei.

Ágata Simões

Geraldes Lino disse...

Bongop
Agradeço os teus bons desejos, que retribuo.
Bom Ano Novo, com muita saúde e muitos "aéreos" para comprares a BD que te apetecer :-)

Geraldes Lino disse...

Caro loot
Agradeço e, pela minha parte, desejo-lhe Feliz Ano Novo, com bom trabalho na blogosfera, e boas leituras de BD.

Geraldes Lino disse...

Viva Hermínio Felizardo
O grande autor de BD ZEPAULO, colaborador nos meus fanzines, até mesmo no simples Tertúlia BDzine, saiu de cena após luta titânica contra a doença que o atormentava, mas que ele enfrentava sempre com optimismo. Também eu, só nos meses mais recentes me convenci que ele não resistiria à malvada doença.
Desejo-lhe Bom Ano Novo, com muitos cartunes e, se possível, mais um álbum de BD.

Geraldes Lino disse...

Ágata Simões
Como lhe disse quando estive no velório do seu pai, gostei muito desse seu emocionado texto, exposto na parede da casa mortuária, juntamente com a ampliação daquela estupenda ilustração da autoria de ZéPaulo, que eu não conhecia.
Igualmente lhe disse que gostaria de reproduzir o seu texto aqui no meu blogue. É o que vou fazer.
Bjs.

Geraldes Lino disse...

Bongop
Agradeço os teus bons desejos, que retribuo.
Bom Ano Novo, com muita saúde e muitos "aéreos" para comprares a BD que te apetecer :-)

Anónimo disse...

Nunca tive o prazer de conhecer pessoalmente o Zé Paulo. Conheci o seu trabalho atravez do Geraldes e reconheci imediatamente um enorme talento e um grande coração ao referir-se ao meu modesto trabalho com palavras de incentivo e apreço.
Onde quer que estejas fica bem, com certeza que muitos não te esquecerão.
Lam

Geraldes Lino disse...

João Lam
Passei por aqui hoje (de tempos a tempos dou uma volta pelas caixas de comentários) e fiquei a saber que não conheceste o Zé Paulo, o que é, de certa maneira, estranho. Isto, pela simples razão de que ambos foram colaboradores do semanário satírico "O Fiel Inimigo" (que nos últimos tempos simplificaria o título para "O Inimigo"), e onde, pela primeira vez, tive ocasião de ver bandas desenhadas tuas, a par das do Zé Paulo, que fazia todas as semanas uma prancha, prova de uma capacidade de trabalho inexcedível, e equivalente talento.

Ágata Simões disse...

Boa tarde Srº Geraldes Lino
Sempre que posso venho aqui dar uma vista de olhos, e matar saudades do meu pai.
Gostava de fazer um espolio do trabalho dele, como deve de calcular agora que arrumei as coisas dele, encontrei todos os trabalhos desde a altura em que trabalhava na nestelé, é magnifico, e ele merece que se lhe faça uma homenagem.
Não sei muito bem por onde começar, pois nunca andei nestas andanças...
Em breve vou-lhe telefonar a si Geraldes Lino, pode ser que me saiba orientar.
Um beijo Ágata Simões