quarta-feira, abril 04, 2012
Vinhetas notáveis (I)
Tanto ao nível do desenho como ao da colorização, deparam-se-nos com frequência imagens que nos fazem suspender a leitura/visionamento, e permanecemos a apreciar, pormenor a pormenor, a beleza de alguma vinheta ou prancha de banda desenhada. É esse um dos fascínios da BD.
Foi por este tipo de análise - que tantas vezes tenho feito, ao longo de milhares de obras de Figuração Narrativa - que dá o direito à Banda Desenhada a pertencer ao nível indiscutível de Arte maior, classificação que só por ignorância ou preconceitos medíocres pode ser negada.
E tudo porque, ao ler/ver Aarícia, parte da extensa obra Thorgal, volume 14º da edição original, e primeiro da presente edição conjunta ASA-Público, posto hoje à venda com o jornal componente da parceria editorial, quase que suspendi a respiração com a imagem que se pode apreciar no topo do poste, além do texto emotivo que a reforça, ambos ligados à cerimónia fúnebre da despedida ao corpo de Leif Haraldson, chefe dos vikingues do Norte, pai adoptivo de Thorgal.
Não será de estranhar o elevado nível desta obra, visto que os autores - Rosinski, desenhador, Van Hamme, argumentista - são nomes de primeira grandeza na BD.
Thorgal - personagem que dá nome à série - é bem conhecido dos veteranos apreciadores portugueses de banda desenhada, que com ele tiveram o primeiro contacto na revista Tintin, em 1980, e com quem mantiveram encontros mais assíduos na revista Mundo de Aventuras, igualmente a partir de 1980, e em Selecções BD - onde fui colaborador -, entre 1998 e 2001.
Claro que a obra também tem tido boa divulgação ao nível de álbuns editados, inicialmente pela Bertrand, depois pela Futura e finalmente pela ASA.
Na presente iniciativa editorial, começada hoje, irão ser editados dezasseis volumes, com episódios inéditos em Portugal, sempre às quartas-feiras, em conjunto com o jornal Público.
Será a ocasião propícia para os leitores veteranos - não esquecer que, como afirma o famoso slogan, "A banda desenhada é para leitores dos 7 aos 77" - reverem/relerem a importante obra criada por Rosinski e Jean Van Hamme para a revista Tintin em 1977, e para talvez atrair uma boa camada de gente nova, já tão arredada deste género de banda desenhada europeia, popular mas clássica, sobrepujada pela BD americana e japonesa, ou seja, pelos super-heróis e pela mangá.
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ROSINSKI
Biobibliografia
Grzegorz Rosinski (Stalova Wola, Polónia, 1941) sentiu-se atraído pela banda desenhada graças à revista francesa Vaillant, tendo começado a desenhar pequenos episódios para o jornal do liceu.
Após estudos na Escola de Belas Artes de Varsóvia, na qual se licenciou em 1967, começou a realizar BD como ocupação a tempo inteiro, criando (escrevendo os argumentos e fazendo os desenhos) para as séries "Kapitan Zbik" e "Pilot Smiglowca", destinadas à editora polaca Sport i Turystykay, no género de aventuras e mistério, entre 1968 e 1972.
Entre 1974 e 1976, com o apoio de Barbara Seidler, realizou três livros com adaptações de lendas polacas em banda desenhada.
Em 1976 passou a director do magazine varsoviano Relax, no qual criou bedês em registo histórico e de ficção científica.
A qualidade do seu desempenho banda-desenhístico impressionou os responsáveis da revista Tintin (edição belga). Por esse motivo, Rosinski foi convidado a deslocar-se a Bruxelas em 1976, comprometendo-se profissionalmente com a editora Lombard, para a qual começou a fazer algumas curtas. Mas, ao mesmo tempo, realizou uma bd de tipo fantástico para a revsita rival, a Spirou, usando o pseudónimo "Rosek".
Finalmente, em 1977, sob argumento de Jean Van Hamme, começou-se a publicar a sua obra de referência "Thorgal, Fils de Étoiles", no género de "fantasia heróica".
É para mim indiscutível que, em algumas imagens desta obra se sente a influência de Harold Foster e do seu Príncipe Valente, fascínio a que poucos autores daquela geração conseguiram escapar incólumes.
Rosinski trabalhou também com o argumentista André Paul-Duchateau (Bélgica, 1925) a partir de 1980, desenhando a série "Hans", baseada numa fictícia guerra pós-nuclear.
1988 foi o ano de apresentação de uma novela gráfica intitulada "Le Grand Pouvoir du Chninkel" para a colecção "Les Romans", em edição da Casterman, em reprodução a preto e branco, reeditada a cores numa trilogia, em 2001 e 2002.
Mantendo-se a trabalhar no "Thorgal", a sua obra de estimação, e após desistência de Van Hamme da série, em 2007, Rosinski continuou-a com o apoio de Sente a partir do 30º volume. A colaboração com este novo parceiro deu imprevisto fruto em 2010: o spin-off intitulado "Les Mondes de Thorgal".
Rosinski, polaco de nascimento, adoptou a nacionalidade belga.
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