quarta-feira, maio 22, 2013

Prémios de BD



Os recém criados Prémios Profissionais de Banda Desenhada - PPBD, cujos primeiros resultados estão prestes a tornar-se públicos, já no próximo dia 24 de Maio, deveriam ser antes denominados, na minha opinião, como Prémios de Especialistas de Banda Desenhada - PEBD (ou Prémios Atribuídos por Especialistas de Banda Desenhada - PAEBD, título ainda mais correcto, mas penalizado pela sua extensão).

Isso porque, na realidade, a quase maioria das individualidades que compõem o júri dos PPBD, não são profissionais de banda desenhada. São, sim, profissionais das respectivas profissões, onde exercem actividades remuneradas. 

Na BD propriamente dita apenas se podem apontar como profissionais os nomes de Artur Correia, veterano autor que se tem dividido entre o cinema de animação e a banda desenhada, João Miguel Lameiras, João Ramalho Santos e Manuel Espírito Santo, um grupo de proprietários de livrarias especializadas em BD ("Dr. Kartoon", em Coimbra, os dois primeiros, e "Invicta Indie Arts" no Porto, o terceiro nomeado),  mais os autores que neste momento vivem dos proventos obtidos na colaboração com editoras norte-americanas de "comics" - André Lima Araújo e Jorge Coelho -, ou os que, inseridos apenas no mercado nacional, vivem unicamente da ilustração e da banda desenhada, casos de Nuno Saraiva, Osvaldo Medina e Pedro Brito, este último também a trabalhar em cinema de animação.

(Já me foi dito, por membro dos PPBD, que só não são todos profissionais da BD porque, em Portugal, não há condições para isso. Apetece-me lembrar a popular frase trava-línguas: "Se cá nevasse fazia-se cá ski").

Independentemente da pertinência de haver em simultâneo, no mesmo ano, duas entidades a atribuirem prémios a obras e autores de BD - o CNBDI/Amadora, organizador do respectivo festival, e a novel iniciativa PPBD, esta sob organização de individualidades não ligadas a nenhuma associação, privada ou pública, e que consta serem substituíveis anualmente -, não me parece haver, em última análise, qualquer aspecto negativo, ao invés será uma forma de dar mais visibilidade à figuração narrativa.

Apenas me ocorre cogitar qual o motivo fundamental da criação destes prémios, se surgem como forma de contestação à metodologia usada pelo CNBDI/Festival Internacional de BD da Amadora desde 1992. 

Se assim for, considero não haver uma muito visível diferença fracturante entre eles. 

Também os prémios do CNBDI são seleccionados primeiramente por um grupo de especialistas (eventualmente incluindo algum profissional da BD), apenas com a diferença de que a votação final é exercida pelas individualidades que constam da mailing list daquele equipamento cultural amadorense.

Mas, indubitavelmente, haverá para os entusiastas da BD, um inesperado motivo de curiosidade: comparar os resultados desta dupla actividade premiadora de obras e autores, analisar e discutir as semelhanças e diferenças. 
Um óptimo tema para uma mesa redonda, desde já aqui fica a sugestão.

E aproveito para felicitar os membros organizadores, pelo facto de terem conseguido autorização de utilizarem o categorizado espaço da Torre do Tombo (Auditório) para a cerimónia da entrega dos prémios.       


                                     Obras e autores candidatos  aos PPBD

                                                               
                                                                ÁLBUM DO ANO
                O Baile - Autores:Joana Afonso (desenho), Nuno Duarte (argumento)
                                          Diário Rasgado - Autor: Marco Mendes
                                                      Han Solo - Autor: Rui Lacas
                                           Sangue Violeta - Autor: Fernando Relvas

ARGUMENTISTA DO ANO 
Nuno Duarte (O Baile) 
Marco Mendes (Diário Rasgado) 
Rui Lacas (Han Solo e Asteroid Fighters 2 – Os Oráculos) 
Miguel Peres (Cinzas da Revolta) 

DESENHADOR DO ANO 
Joana Afonso (O Baile) 
Marco Mendes (Diário Rasgado) 
Rui Lacas (Han Solo e Asteroid Fighters 2 – Os Oráculos) 
Afonso Ferreira (Love Hole) 

COLORISTA DO ANO 
Joana Afonso (O Baile) 
Rui Lacas (Han Solo e Asteroid Fighters 2 – Os Oráculos) 
Artur Correia (O País dos Cágados) 
João Amaral (Cinzas da Revolta) 

LEGENDADOR DO ANO 
Mário Freitas (O Baile) 
Marco Mendes (Diário Rasgado) 
Rui Lacas (Asteroid Fighters 2 – Os Oráculos) 
Rui Lacas & Hugo Jesus (Han Solo) 

DESIGNER DE PUBLICAÇÃO DO ANO 
Mário Freitas (O Baile) 
Marco Mendes (Diário Rasgado) 
Rui Lacas (Han Solo) 
Joana Pires (Mesinha de Cabeceira #23) 

ANTOLOGIA DO ANO 
Zona Desenha (Associação Tentáculo) 
Graphite #0 (GBS Edições) 
Mesinha de Cabeceira #23 (Chili Com Carne) 
Zona Nippon 1 (Associação Tentáculo) 

WEBCOMIC DO ANO 
Margem Sul (Pedro Brito) 
The Mighty Enlil (Pedro Cruz)
Os Positivos (*)
(*) Sei o nome do autor, mas se calhar ele disse para não o divulgarem, e não serei eu a fazê-lo
Story of Godz (Pedro Fernandes, Gevan & Luís Valente – Yucca Studios)

Nota do blóguer: Em relação a estes webcomics, acho que faria sentido indicar os endereços, o que talvez não tenha ocorrido aos organizadores. Vou fazer eu "aquilo que ainda não foi feito", parafraseando o Pedro Abrunhosa.

Margem Sul   - margemsulcomic.blogspot.pt
The Mighty Enlil - pedro-cruz.blogspot.pt
Os Positivos - www.ospositivos.com
Story of Godz - neste endereço - https://www.facebook.com/photo.php?fbid=328320603937645&set=a.254929227943450.38316.240122689424104&type=3&theater 
Ou neste outro endereço 
https://www.facebook.com/medi/set/?set=a.254929227943450.38316.240122689424104&type=3
_________________________________________________

Os PRÉMIOS PROFISSIONAIS DE BD (PPBD) foram criados em 2012 e estão a ser organizados por cinco pessoas ligadas à banda desenhada e ao jornalismo: André Oliveira, Inês Fonseca Santos, Maria José Pereira, Mário Freitas e Nuno Amado.

As obras nomeadas para a primeira edição dos PPBD foram seleccionadas por um Grande Júri (sic) composto por 25 personalidades ligadas a esta área – de autores a investigadores, passando por jornalistas e divulgadores. Em análise, encontram-se mais de 30 obras publicadas em Portugal entre Janeiro e Dezembro de 2012.

O anúncio dos nomeados em cada categoria – Álbum do Ano; Argumentista do Ano; Desenhador do Ano; Colorista do Ano; Legendador do Ano; Design de Publicação do Ano; Antologia do Ano; WebComic do Ano – foi feito no dia 11 de Maio, na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Lisboa, durante o Festival Anicomics.

Dia 24 de Maio, o auditório da Torre do Tombo acolherá a cerimónia de entrega dos PPBD.

Acrescente-se ainda que, num primeiro momento, será no Festival Internacional de BD de Beja, em Junho, e na livraria Kingpin Books, em Lisboa, que vão poder ser vistas as obras vencedoras, estando previstas outras exposições a divulgar oportunamente.

COMPOSIÇÃO DO GRANDE JÚRI

André Lima Araújo (autor de BD) 
Artur Correia (autor de BD) 
Carlos Pedro (autor de BD) 
Carlos Pessoa (jornalista) 
David Soares (escritor e argumentista de BD) 
Eurico de Barros (jornalista) 
Fernando Dordio (argumentista de BD) 
Filipe Homem Fonseca (? interrogação deste blóguer, visto não haver informação)*
João Miguel Lameiras (crítico e livreiro) 
João Miguel Tavares (jornalista) 
João Paiva Boleo (investigador) 
João Paulo Cotrim (investigador e argumentista) 
João Ramalho Santos (crítico) 
Jorge Coelho (artista de BD) 
Júlio Moreira (responsável de galeria) 
Manuel Espírito Santo (divulgador) 
Nuno Neves (divulgador) 
Nuno Saraiva (ilustrador e autor de BD) 
Osvaldo Medina (ilustrador e artista de BD) 
Paulo Monteiro (argumentista e director do festival de Beja) 
Pedro Brito (ilustrador e autor de BD) 
Pedro Cleto (jornalista e crítico) 
Pedro Veiga Grilo (divulgador) 
Santos Costa (autor de BD) 
Sara Figueiredo Costa (crítico)

(1ª Nota do blóguer: esta lista foi feita através do facilitador "copy paste". Isto para dizer que não compreendo o facto de haver personalidades classificadas como "autor de BD" e outras como "artista de BD") 

 
(2ª nota do blóguer:
* Fui informado posteriormente, por comentário de Fernando Dordio, argumentista, que Filipe Homem Fonseca é argumentista, realizador e músico.

16 comentários:

Nuno Amado disse...

Olá Geraldes Lino
Só uma ressalva, a Maria José Pereira e o Mário Freitas não fazem parte do Júri, assim como eu, o André e a Inês. Nós somos os organizadores e não votamos. Nesta fase de votação controlamos e apuramos os votos.

Abraço

Geraldes Lino disse...

Viva, Nuno Amado

Sempre atento!
Agradeço a visita e muito grato
pela correcção.

Abraço.

Santos Costa disse...

Geraldes Lino

É evidente que, a seu tempo (e não falta muito) gostarei de fazer parte desta tua "mesa redonda" ou "távola redonda". Há na tua sempre atenta observação alguns pormenores interessantes, de que abro mão apenas de um (para já), que se prende com a designação de autor,ilustrador, argumentista e artista. Eu não resisto a questões semânticas e sucumbo à tentação de pugnar de cajado nessas refregas.
Como sabes, eu faço parte dos jurados e acho que a organização foi impecável, disponibilizando os elementos a tempo e horas para uma análise isenta e sem quaisquer pormenores que não estivessem contemplados no Regulamento. Na minha perspectiva -e, acima de tudo, no meu caso e nesse desempenho - foi o que se passou.
Estou longe, sou um eremita perdido algures na Meseta Ibérica, e isso faz com que haja equidistância entre tudo o que se passa no centro. Logo, poderei não estar a fazer a análise correcta, mas julgo que estes prémios primam pela sua pertinência, haja ou não outros equivalentes.
Sobre a composição do júri (de que não conheço pessoalmente a maioria)não tenho nada a apontar, porque encontro qualidade em todos, pesando e medindo as suas actividades no âmbito do concurso. No entanto, também estou à vontade para dizer que aceitei fazer parte do júri por duas razões fundamentais: a primeira e mais importante, porque quem me fez o convite é uma das pessoas que eu mais tenho em consideração no mundo da BD portuguesa; segundo, porque não sabia obviamente, então, quem eram todos os restantes jurados, como eles não tinham igualmente conhecimento de que eu o era. Se assim fosse, talvez houvesse escusas de um lado ou de outro; provavelmente, pelos afectos, desvanecimentos ou desconsiderações pretéritas, havia quem não quisesse equipar com quem.
No entanto, cada um - eu, por exemplo - votou na sua urna caseira, em postura indizível e, portanto, secreta. Nesse sentido, eu próprio sou um "túmulo".
Finalmente - e sem querer estar sozinho nesta mesa redonda, porque à mesa, sozinho, só quando estou às refeições e isso acontece raramente - reafirmo a boa condução do processo por parte dos elementos da organização, que estão de parabéns, independentemente dos resultados a final.

Fernando disse...

Olá Geraldes Lino espero que esteja tudo bom consigo.

Vi que não tinha referências do Filipe Homem Fonseca e aproveito para lhe dizer que é um daqueles artistas (argumentista, realizador, músico) que vale a pena descobrir.

Tive a sorte de ter uma aula de argumento com ele nas Produções Fictícias e foi realmente marcante e ajudou-me a ficar ainda mais apaixonado por guionismo.

Dele pode ver (se não vi já) coisas como:
- Herman Enciclopédia (1997)
- Conversa da Treta (1999)
- Contra Informação (2001-2010)
- Bocage (2006)
- O Dia do Regicídio (2008)

As últimas duas são realmente do melhor que se tem feito na RTP.

Abraço
Fernando Dordio Campos

Geraldes Lino disse...

Santos Costa

No meu "post" não pus em causa a impecabilidade da organização, até porque não estou inserido nela, mas há entre o grupo de organizadores três pessoas que conheço bem (Maria José Pereira - que até já colaborei com ela na Meribérica há muitos anos - Mário Freitas e Nuno Amado) que considero competentíssimas.

A minha principal crítica - que, curiosamente, não mencionaste nesta tua intervenção - incide sobre um pormenor localizado a montante, ou seja, o título que identifica a iniciativa, "Prémios Profissionais".

Geraldes Lino disse...

Fernando Dordio

À frente do seu nome está a indicação de argumentista. E está também a respectiva indicação junto ao nome de todos os outros membros do júri, excepto - e foi tão-somente isso que eu referi - no que concerne a Filipe Homem Fonseca.

Tenho a agradecer-lhe a sua informação acerca dele, e espero amanhã ficar a conhecer essa personalidade de quem você descreve, em síntese, um brilhante currículo.

Santos Costa disse...

Lino
Eu não fiz qualquer crítica â tua crítica e muito menos contra-ataquei defendendo a organização de algum hipotético ataque teu, pois não o houve. Eu escrevi até - "Há na tua sempre atenta observação alguns pormenores interessantes".
Limitei-me a antecipar, com a defesa, qualquer ataque sobre os items apontados, designadamente o júri e organização; mas não foi por sentir que tu os estavas a atacar.
Enfatizei - e enfatizo - o papel dos jurados e da organização, que se mostraram, quanto a mim, à altura do que lhes seria pedido para dignificar os prémios. Pormenores de outra índole, desconheço.
Não influenciei ninguém (o meu livro a concurso, nem sequer foi seleccionado, como sabes), não sofri influências de ninguém nas minhas votações (nem eu aceitaria isso). Logo, para mim, tudo certo, tudo correcto.
No blog do Machado-Dias - onde tive conhecimento dos premiados, em primeira mão - porque tinha acabado de chegar de Coimbra, deixei um comentário agradecendo-lhe o facto de ter sabido isso através do blog dele, que consta da minha lista de blogs (como o teu, aliás), que me dá alertas logo que haja actualizações ou entradas.
Sobre o assunto que envolve a designação do prémio, pouco tenho a acrescentar, uma vez que nem sequer sugeri, em tempo útil, qualquer outro nome que reunisse mais consenso. E, se sugerisse, era capaz de ser muito, mas muito, pior.
O que prometi foi abordar esse teu "toque" na classificaão dos jurados (ilustrador, argumentista, artista e autor), mas espero que se sentem mais entendidos à mesa, para assim se trocarem ideias e opiniões.

Geraldes Lino disse...

Costa

Agradeço o teu cuidado. Acho que ficou quase tudo esclarecido, falta apenas saber qual a tua opinião acerca da questão que levantei (sujeito a eventuais inimizades) relacionada com o uso do adjectivo "profissionais" a classificar os prémios.

Outro assunto relacionado: Agora fico eu com curiosidade em saber qual o método excepcionalmente expedito e confortável que o meu amigo Jorge Machado-Dias engendrou para conseguir dar o resultado das votações dos premiados em primeira mão, sem sair de casa.

É que eu estive presente na Torre do Tombo, no respecivo Auditório, por acaso até fui amavelmente convidado pelos organizadores a ir ao palco entregar um dos prémios, e o Machado-Dias não esteve lá (isto nao é censura, antes uma mera constatação, porque é compreensível que quem vive nas Caldas da Rainha, como é o caso dele) não venha de propósito a Liboa.

Ora, quanto a mim, depois da cerimónia, vim a casa jantar, e só há pouco é que afixei os resultados no blogue.

E nem um dos organizadores desta novel iniciativa, o meu amigo Nuno Amado, tem ainda essa notícia no seu activo blogue "Leituras de BD".

Não é que eu tenha a preocupação de ser o primeiro, até não cultivo essa preocupação no blogue. Mas palavra que estou intrigado...

Abraço.
GL

Mário Freitas disse...

Geraldes Lino,

Presumo que o Machado Dias tenha feito copy-paste da informação que a organização colocou por volta das 20h no facebook dos PPBD. Pena foi ter-se perdido a seguir em considerações ignorantes e lesivas da conduta da organização, nomeadamente da minha pessoa.

Um abraço e um grande obrigado pelas tuas previsões in look quase sempre certas; vê-se que estavas feito com a organização, sobretudo comigo, que manipulo tudo e todos...

Mário Freitas disse...

*Queria dizer "in loco" e não "in look", claro...

Santos Costa disse...

Caríssimo Geraldes Lino

Tens um jeito especial para levantares questões que não podem passar sem polémica, o que é salutar. E eu, que sou essencialmente um comunicador e com um pouco de polemista, não me furto à liça.
Vem isto a propósito dos Prémios "Profissionais". As aspas retro evidenciam o vocábulo adjectivo que pretendes escalpelizar. Pois bem...
Um profissional é aquele que exerce uma determinada profissão, não necessariamente a principal, porque pode ser secundária ou em part-time (o biscate). Diz a Grande Enciclopédia Port. e Bras., que profissional é uma "pessoa que faz uma coisa por ofício ou profissão". E, como profissão, a mesma obra entende englobar o termodesta guisa - "ofício, emprego, mester, modo de vida".
Assim, este adjectivo leva-nos a considerar que um profissional é aquele que exercita uma actividade que implica uma retribuição económica, isto é, uma remuneração.
No antigo imposto profissional, a abrangência do termo incidia sobre os rendimentos do trabalho, de natureza contratual ou não, periódicos ou ocasionais, fixos ou variáveis, fosse qual fosse a sua proveniência ou local, moeda e forma estipulada para o seu cálculo e pagamento, incidência que não fugiu ao código do IRS. Como sabes, um argumentista ou um desenhador de BD, para receber o seu pagamento tem de entregar um recibo (o dito recibo verde) ou, em sua substituição, um recibo de acto isolado, que está simultaneamente sujeito a IRS e a IVA. Ora, para poder possuir e passar os recibos verdes, tem de se colectar e ter um código de actividade de acordo com a Classificação das Actividades Económicas Portuguesas por Ramos de Actividade (CAE), do Instituto Nacional de Estatística.
Isto quer dizer o quê? Que um indivíduo pode ter mais que uma profissão, seja ela dependente ou independente. No meu caso, como escrevo livros de ficção e de investigação histórica, possuo dois cócigos de actividade referidos nos tais recibos; se exercesse a advocacia por conta própria, teria um outro. Apenas teria de declarar qual a actividade principal.
Salvaguarda-se aqui o facto de os desenhadores e argumentistas (neste caso vertente, os da BD) estarem sob um regime de benefício fiscal, pois apenas metade dos rendimentos auferidos neste âmbito estão isentos, por se tratar de cultura.
Logo, profissionais são os autores que publicaram e, por via disso, receberam os seus direitos, mesmo que não exerçam de forma exclusiva e que façam, em tratos de amadorismo, tais actividades.
Dito isto, parece-me justificado o termo relativo à extensão da sigla PPBD, no pressuposto de que todos os concursados reuniam estas condições. Sobre a bondade e a felicidade da designação, à falta de outra, quem assim decidiu... decidiu.

Um grande abraço para ti

Jorge Machado-Dias disse...

“Presumo que o Machado Dias tenha feito copy-paste da informação que a organização colocou por volta das 20h no facebook dos PPBD. Pena foi ter-se perdido a seguir em considerações ignorantes e lesivas da conduta da organização, nomeadamente da minha pessoa.”
Foi exactamente isso: copy-past do facebook. Mas o resto está errado, o Mário considerou o que escrevi como um ataque à sua pessoa – nada mais falso: eu nunca ataco pessoas! O que eu coloquei no Kuentro foi isto:
“(...) O livro O Baile, é um justo vencedor pela sua qualidade, nada temos em contrário, mas... foi editado pela Kingpin Books, de Mário de Freitas, que também faz parte do chamado “Grande Júri” dos Prémios Profissionais de BD...
Como é que um dos mentores, organizadores, jurados... destes Prémios (ou quaisquer outros) pode ser parte interessada?
Deixem-me recordar, só por curiosidade, que todos os funcionários da Santa Casa da Misericórdia, incluindo todos os seus familiares, estão rigorosamente proíbidos de jogar na Lotaria, Totoloto, Totobola, etc., etc., etc... (...)”
Não há aqui qualquer ataque ao Mário de Freitas nem à Kingpin!!! OK! Ele não está no júri – já me retractei por ter errado nessa parte da questão. Mas o resto continua válido e pertinente! Mais tarde acrescentei que também os autores não podem fazer parte do júri! E ainda ninguém rebateu isto – que é o mais importante. Portanto ficou-se numa discussão cretina por coisas que nem sequer estão na meia dúzia de linhas que escrevi. Por isso deixei de responder na discussão no Facebook e não falei mais sobre o assunto. Mas o português é mesmo assim: discute a rama, nunca a árvore.

Santos Costa disse...

Machado-Dias

Escreveste isto no comentário anterior:
"Mais tarde acrescentei que também os autores não podem fazer parte do júri! E ainda ninguém rebateu isto – que é o mais importante."
Pois bem, Jorge, se lesses os comentários do teu blog em vez de dares voz a um palerma que ali indirectamente me chamou estúpido, terias reparado que eu "rebati" isso.
Por isso, vou repetir aqui o que ali deixei expresso, e que é:

"Volto aqui para novamente esclarecer o meu ponto de vista sobre a inclusão, no júri, de autores de Bd, ainda por cima autores que, como eu, tinham obras a prémio. Ora, acho que deixei claro que o regulamento não prevê a votação desses jurados nas suas obras, mesmo que indirectamente ligados a elas.
Quanto a serem excluídos os autores deste género de iniciativa, para mim tudo bem. Quem organiza, dispõe, predispôe e regulamenta. Só sei que não fui beneficiado - antes, pelo contrário, poderia até ser prejudicado, uma vez que foi menos um voto na minha obra (o meu).
Respeito as tuas opiniões (espero que não te importes que te trate com esta familiaridade), sabes disso pela forma como eu escrevo e debato. No entanto, sei que há momentos em que não estamos em concordância, porque cada um de nós pensa com a sua cabeça e a sua consciência.
É lógico que vês a BD e estás dentro da BD com outra perspectiva que o talhante da tua rua não tem, mesmo que seja leitor; provavelmente, tu ou eu, em relação a ele, se fossemos a atender uma cliente que nos pedisse o acém, cortaríamos a alcatra. Logo, a tua apreciação deve ser tida em conta, mas não é sagrada, o que quer dizer que é sufragada por aqueles que estão dentro da matéria, sejam jornalistas, divulgadores, críticos ou autores.
Fui até ao Facebook através do link aqui disponibilizado. Não tenho conta naquela "coisa" e, por isso, limitei-me a ler o que lá encontrei. Ressaltou-me, de importante, este teu comentário:
"Se a Dargaud instituisse, organizasse e fizesse parte do júri de um Prémio de BD e um dos seus livros o vencesse, era motivo da risota geral no mundo bedéfilo francófono. Só em Portugal é que não se percebe do que se está a falar. Metam isto nas cabeças ocas: nenhum editor ou autor de BD pode pertencer à organização ou júri de qualquer premiação de BD!!! Porque é parte interessada - sempre, mesmo que se diga não interessado. Vejam se entendem, OK?"
Para te dar um exemplo - e um exemplo grande - falo-te dos Prémios LeYa, aqueles que na escrita dão ao premiado uma taluda de 100 mil pacotes. São organizados pelo grupo editorial e os seus autores concorrem. Este ano, por exemplo, ganhou um autor da "casa".
Irá contrapôr (por isso antecipo): mas esses prémios não se sabe quem concorre e são obras originais, cujas são apreciadas com "vendas nos olhos". Certo. Mas saberás que o júri inicial é composto por editores do grupo, que lêem e escolhem as obras que vão ser submetidas - em número máximo de 10 - ao júri que se encontra divulgado. A LeYa faz parte do júri, através dos seus editores; os editores dos PPBD, não.
Pela tua ordem de ideias, um cozinheiro não seria júri num concurso de cozinha estando a concurso o restaurante onde trabalha (um ou outro ficariam de fora); nenhum juiz poderia julgar outro juiz em qualquer tribunal, etc.
Pronto. É esta a minha opinião. Como não faço de conta de entrar noutro júri sobre esta mesma matéria, estou-me nas tintas; melhor, estou com as tintas que merecem os trabalhos que tenho em mãos e por aí me vou."

Em relação ao que escrevi atrás e lá ficou nos comentários que expões, sem que tivesses contrariado ou concordado com essa minha opinião, que eu até poderoa levar em conta de algum desdém, apenas vou alterar um início da frase - "Como não faço conta..."
Pois é, Jorge Machado-Dias, julgo que não tens nada contra mim (assim como eu não tenho nada contra ti), não ofendi nem fui ofendido. Acho estranho que tenhas deixado escapar esse pormenor.

Jorge Machado-Dias disse...

Caríssimo Santos Costa, não respondi ao teu comentário no Kuentro porque, nessa altura já estava farto da cretina discussão no facebook sobre o assunto. Não houve qualquer "desdém" da minha parte - costumo responder sempre aos comentários, quando acho que devo. As minhas desculpas.

O problema que eu coloco, não tem a ver com o que se passa nos prémios da Leya, que servem para descobrir obras para o grupo editar e que ninguém ainda editou - será natural que os jurados sejam os editores - mas não creio que se encontrem autores no juri.

Quanto aos cozinheiros, normalmente nos concursos de culinária (e conheço alguns, já agora), o júri é composto por críticos de gastronomia, professores de culinária, etc...

Quanto a um concurso que quer premiar obras publicadas de BD, parece-me indecoroso que estejam no júri "partes interessadas", mesmo que nos regulamentos estejam impedidos de votar nas suas obras. Fica sempre para o exterior, um sibilino ponto de interrogação. Portanto, para evitar esta situação é melhor prevenir e colocar no júri apenas os jornalistas, os críticos, os investigadores e até os leitores.

De qq modo vou ler o teu comentátio no facebook! A chatice é que vou tropeçar de novo nos egos inchados de quem se considerou ofendido com um simples reparo à organização e não a qualquer pessoa.

Jorge Machado-Dias disse...

Como eu já disse algures, ou mesmo alguém o disse antes de mim, utilizando uma frase romana muito a propósito: "Não importa só que a mulher de César seja virtuosa e honesta, é preciso também que o pareça"!

Mário Miguel de Freitas disse...

Machado, se a tua questão era de fundo e não se prendia com a pessoa A ou B ou com o livro X ou Y, então devias ter manifestado a tua posição quando os prémios foram anunciados em Novembro e não agora. Assim, ficará sempre a parecer que meteste os pés pelas mãos à grande e à francesa e usaste depois um subterfúgio para pedires meias-desculpas e tentares manter a face.

Felizmente, sou sério e pareço, ou não estaria num projecto claro e transparente. Infelizmente, estou num país como Portugal em que, só com uma enorme dose de lirismo ou total ignorância, se pode achar que se conseguiam 25 jurados actualizados, diversificados e representativos, sem incluir neles autores de BD. E falo de jurados, porque se fosse então falar de organizadores com visão e capacidade para tal...