sábado, dezembro 08, 2007

Banda Desenhada portuguesa nos jornais (LXXVIII) - Mundo Universitário - Autor: Relvas

Prancha da banda desenhada Mediterrâneo, da autoria de Fernando Relvas
in Mundo Universitário nº 88, de 3 Dezembro

Relvas, banda-desenhista de prestígio, apesar de viver na Croácia colaborou esta semana com uma banda desenhada na rubrica BD do jornal Mundo Universitário, o que será, de certeza, uma boa notícia para quem se habituou a considerar aquele autor-artista como um dos mais importantes na moderna Banda Desenhada Portuguesa.
Claro que não foi fácil de conseguir. Só após muitos e-mails com o Relvas, tive a satisfação de receber um com o respectivo anexo, e aí estava a colaboração tão desejada por mim. Devo dizer que esperava obra mais ao estilo que sempre dele conheci, e dei-lhe conhecimento da minha opinião. Sem desdenhar da qualidade estética da prancha, e do excelente nível literário e ficcional do argumento, disse-lhe que estava à espera de simples banda desenhada e não de "banda desenhada fotografada". A resposta foi de que agora era o que me podia arranjar. E, claro, é obra que não deslustra o prestígio do autor na Banda Desenhada, que tem espalhado o seu talento também pelas áreas do Cartune, da Ilustração e da Caricatura.
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Fernando Relvas (Lisboa, 1954) tem extenso currículo na arte sequencial, tendo-se iniciado, como vários outros autores de nomeada, nos fanzines (O Estripador, O Gorgulho). Todavia, o seu primeiro momento de especial relevância ocorreu na [revista] Tintin, edição portuguesa, com a criação da personagem O Espião Acácio.
Entre 1982 e 1988 relizou várias extensas bandas desenhadas para o semanário Sete, publicadas ao ritmo de uma prancha por semana, em sistema de continuação, sendo de relevar Nunca Beijes a Sombra do Teu Destino, publicada a cores (1986).
Dele há também vários álbuns publicados na década de 1990: "As Aventuras de Vaz Taborda. Em Desgraça", "Çufo", "As Aventuras de Piri-Lau, O Nosso Primo em Bruxelas", estes criados de raiz. Beneficiou da recolha em álbum da bd "Karlos Starkiller" bem assim de "L123", e, a terminar a profícua década, foi um dos participantes no álbum colectivo Uma Revolução Desenhada. O 25 de Abril e a BD.
Ver mais elementos acerca de Fernando Relvas no seu próprio blogue:
http://hardline-approach.blogspot.com

Capa da novela gráfica Palmyra, obra de Fernando Relvas editada em álbum

Relvas casou em Portugal com Nina Goudarovna (estou a escrever de cor, julgo que é mais ou menos assim que se escreve), uma artista (pintora) croata, e emigrou para a Croácia. Entretanto, mantendo considerável actividade, tem as seguintes obras de BD publicadas, sob chancela da editora Lulu:
Palmyra - "graphic novel", Costa 1 e Costa 2 - "travelogs" (volumes com 50 páginas a cor, editadas em "paper back", ou seja, usando o vocábulo português, brochadas).
Ver em:
http://lulu.com/content/702123
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Leia-se ainda a notícia no topo da página, relacionada com o Festival P/Artes - Algarve 07, do qual dei notícia neste blogue (ver "post" abaixo deste). O P/Artes estará agora a terminar. Desejo que tudo tenha corrido bem. Infelizmente não pude participar numa mesa redonda com o Phermad e o Paulo Monteiro, como estava inicialmente previsto, devido à finalização do número 10 do meu fanzine Eros, e dos contactos telefónicos com os participantes do próximo encontro de Natal da Tertúlia BD de Lisboa, que vai ocorrer no próximo dia 11, segunda 3ª feira deste mês (como também têm conhecimento os visitantes que têm visto este blogue).
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"Posts" anteriores

Dez. 1 - Phermad
Nov. 25 - Nuno Saraiva
" 23 - Algarvio (Alexandre Algarvio)
" 18 - José Pedro Costa e Arlindo Fagundes
" 11 - Derradé
Out. 31 - Agonia Sampaio
" 25 - Manaças (Pedro Manaças);
" 16 - Álvaro
" 12 - Pedro Alves
" 10 - Lam (João Lam)
" 3 - Autores: Ricardo Reis, Cristiano Baptista e André Oliveira
Set. 25 - Autor: Antero Valério
Agosto, 14 - Gui e Joca
" 13 - Joba e ML
Julho 12 - Luca
Junho 4 - Esgar Acelerado
Maio 31 - Algarvio
" 28 - Ricardo Cabral
" 14 - José Carlos Fernandes
" 12 - Filipe Andrade (desenho), Filipe Pina (argumento)
" 1 - Vasco Gargalo
Abril 24 - Zé Manel
" 18 - Arlindo Fagundes (arg. e desenho), José Pedro Costa (cor)
Março 30 - Pedro Nogueira
" 23 - José Lopes
" 16 - Zé Paulo (MU nº 60)
" 7 - Lam (MU nº 59)
" 1 - Ricardo Correia (desenho), André Oliveira (arg.), Ana Maria Baptista (colorido)
Fev.12 - Pedro Zamith
" 7 - Nazaré Álvares
" 7 - Marco Mendes
Jan. 23 - Ângela Gouveia
" 16 - Filipe Goulão
2007 - (lista acima)

Dez.6- A.Rechena
Nov.28 - José Lopes
" 21 - Pedro Alves
" 14 - Nuno Saraiva
" 8 - Pedro Morais
Out.31 - Ricardo Ferrand
" 24 - Algarvio
" 17 - Ricardo Cabral
" 11 - Álvaro
" 5 - Pedro Massano
Set.27 - Derradé
" 24 - Nuno Saraiva
Ainda em 2006, mas após as "férias grandes" (entre 8Jun. e 24Set, lapso de tempo em que o MU não foi editado), a lista de colaboradores vê-se daqui para cima

Jun.8 - Estrompa
Maio 31 - António Valjean
" 24 - Pedro Nogueira
" 20 - Zé Manel
" 16 - Ricardo Cabral e Jorge Cabral
" 12 - Pepedelrey
" 4 - J.Mascarenhas
Abril 5 - Cheila Março
29 - Pedro Manaças
" 20 - Júcifer (Joana Figueiredo)
" 15 - Pedro Nogueira
Fev.14 - A.Rechena
" 8 - Derradé
Jan.19 - Pedro Alves
2006 (lista acima)

Dez.12 - Álvaro
Nov.24 - Luís Valente
" 15 - Paulo Marques e Bruno Silva
Out.28 - Fritz
" 13 - Francisco Sousa Lobo
2005 (Lista acima). Neste ano houve mais autores publicados no MU, mas cujas pranchas não foram reproduzidas aqui no blogue)

6 comentários:

rodrigo disse...

Obrigado pelo aviso SMS, Geraldes Lino. Este trabalho parece particularmente interessante para levantar alguma polémica, pois estará na fronteira daquilo que é ou não banda desenhada. Haverá quem não tenha dúvidas de que se trata de BD, mas também se encontrará facilmente quem ache que é mais um texto ilustrado com alguns desenhos. Matéria para reflexão...

Fernando Relvas disse...

Acho que e sempre bom reflectir e quanto mais rapido melhor (lamento a falta de acentos e cedilhas, mas este teclado esta programado para outra lingua cheia de acentos ainda mais estranhos), por isso vou deixar aqui a minha contribuicao.
Como exoliquei varias vezes ao Geraldes Lino, mesmo correndo o risco de o chocar (contudo o Lino nao se choca com facilidade), nao me considero um autor de banda desenhada, mas sim um contador de historias. Por vezes (muitas vezes, dai a confusao) as duas coisas encontram-se.
No que toca a inclusao de fotografia, ela e trabalhada de modo a integrar-se no desenho, ou a deixar que o desenho se integre nela. Para mim e tao desenhada uma coisa como outra.
Quanto a esta historia em particular, tanto pode ser incluida na categoria de historia ilustrada como na de banda desenhada. Para quem gosta de categorias...

Geraldes Lino disse...

Ora aí tem, Rodrigo, a resposta à sua reflexão, vinda directamente do autor-artista-fotógrafo. Não é todos os dias que se consegue um esclarecimento do próprio, embora no mundo da blogosfera haja muita coisa que acontece diferentemente do habitual e de forma bem mais expedita (um dia depois de ter escrito o seu comentário, recebe uma inesperada resposta do visado, com quem, em Portugal, se calhar teria mais dificuldade em contactar...).

Vostradeis disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
rodrigo disse...

É verdade, Geraldes! É a maravilha da era da Informação!... Gostei muito da resposta e acho salutar a interdisciplinaridade (palavra cara, mas útil) de técnicas que a banda desenhada permite. Nada contra a integração de fotografia na banda desenhada, ou não fosse eu um grande apreciador do trabalho de Dave McKean. Pelo contrário, mando o meu sincero cumprimento a todos os autores que têm a audácia de experimentar coisas novas.

Geraldes Lino disse...

Bem, caro visitante Rodrigo, quando diz "experimentar coisas novas" quererá antes dizer coisas já com muitos, muitos anos. Até em Portugal, quanto mais nos Estados Unidos, em França e Espanha, de cujos países conheço autores que já usaram a técnica de mistura desenho/fotografia. O que se poderá dizer com propriedade é que essa mistura continua a não ser aceite incondicionalmente. Como você disse, e com razão, no seu primeiro comentário.
No meu caso, reconheço qualidade da obra independentemente da técnica, apenas tento ser rigoroso classificando de banda desenhada fotografada (sem sentido depreciativo), porque há uma mistura de ambas as técnicas.