domingo, novembro 25, 2012

Autógrafos desenhados (XX) - Sama



Foi em Itália, "no Lucca 14" Salone Internazionale dei Comics, Illustrazione e Cinema d'Animazione, em 1980, que tive o prazer de conseguir, pela primeira vez, desenhos acompanhados de autógrafos. Ando a mostrá-los nesta rubrica desde Dezembro de 2005.

Após todos estes anos passados, sinto ainda autêntica pulsão quando vejo desenhadores, autores de banda desenhada, a darem autógrafos acompanhados de rápidas imagens dos seus heróis de BD. E aí vou eu para as extensas filas, à espera da minha vez...

Este ano, ocupado em algumas ocasiões a acompanhar a venda do meu fanzine Efeméride, na banca da editora Pedranocharco do meu amigo Machado-Dias, outras vezes a ver exposições, mas também a assistir a colóquios, palestras e mesas redondas, obtive poucos. E entre esses, houve um que me cativou em especial, tanto pelo grafismo como pela maliciosa frase.
Nome - melhor, pseudónimo - do autor: Sama.
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SAMA

Síntese biobibliográfica

Eduardo Filipe, aka "Sama", autor brasileiro de BD, está publicado em diversas revistas do seu país, com bandas desenhadas e cartunes, designadamente na Piaui.

Tem colaborado com BD no jornal francês La Gazette. Tratando-se de um artista ecléctico, a sua actividade artística estende-se ao Cinema, onde já actuou como actor e realizador.

A sua obra mais importante, até agora, na Banda Desenhada, é a novela gráfica "A Balada de Johnny Furacão", editada no seu país em 2011.

Esteve este ano de 2012 como convidado do Festival Internacional de Banda Desenhada - AMADORA BD, para o qual expressamente realizou uma colectânea de curtas de BD, de teor autobiográfico, em consonância com o tema central do evento bedéfilo português. Essa sua recente obra, intitulada "Cadernos do Sama - Vol. I", inclui também episódios de cariz erótico. 

Nota do bloguista: Esta curta biografia resultou de uma síntese efectuada, com a devida vénia, do texto de Manassés Filho, no blogue "Comic House". Os nomes próprios Eduardo Filipe foram-me indicados pelo meu amigo Pedro Bouça.
O texto foi adaptado à fraseologia específica portuguesa de Portugal, e não do Brasil, além de ter sido escrito respeitando o Acordo Ortográfico anterior, o AO45.

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Os interessados em ver as 19 postagens anteriores deste tema (onde se incluem grandes nomes da BD, tais como Joe Kubert, Aragonés, John Buscema, Manara, Mordillo, Moebius, Neal Adams, Quino, Solano López, Juan Zanotto, Rick Veitch,  entre vários outros), poderão fazê-lo clicando no item Etiquetas: Autógrafos desenhados inserido no rodapé.

15 comentários:

Bacchus disse...

Caro Geraldes,
O Sama é um autor excelente (cheio de técnicas diferentes de contar histórias aos quadradinhos)..
E eu ajudei a colocá-lo no AmadoraBD sem sequer um agradecimento (mas isso são águas passadas).. Também enviei informação acerca deste autor para todos os blogues nacionais (incluindo o Geraldes se não estou em erro:(), dado a organização do mesmo festival não ter feito a minima divulgação a um autor estrangeiro que foi dos autores brasileiros que mais vendeu em 2011..
Fico grato que tenha gostado do trabalho do mesmo.
Abraço
Manuel Espirito Santo
P.S: Já espalhei um pouco por ai a minha opinião acerca do AmadoraBD e continuo com a mesma


Santos Costa disse...

Saí duma caixa, entro noutra. Ando nesta maré, como salta-pocinhas,opino e aprendo.
Queixa-se o Bacchus (e com alguma razão) que proporcionou ao FIBDA a hipótese de o Samas vir ao festival, dando conhecimento deste autor pela blogosfera da arte. E, com desassombro que lhe reconheço por ler o que escreve e como escreve, o Bacchus levou a sua opinião a uma peça escrita que desenvolveu para o Central Comics.
Leio sobre o Amadora BD aqui e ali e não comento, pela simples razão de que nem sequer lá fui. Concordo que é um festival importante, que se deve manter e que a Câmara da Amadora está de parabéns pela coragem e dispêndio.
E é aqui que eu quero chegar.
Li num outro sítio, no Kuentro do Machado-Dias, que a coisa ficou entre 600 mil e 700 mil euros (só na parte do cenário) e fiquei a tremer. É muita massa! Bem, é muita "guit" para o meu bolso, que sou um pelintra, mas para um município não será assim tanto.
Lembras-te, Lino? Um dia fiz-te a pergunta sobre quanto seria necesário para uma coisa do género, mas mais pequena, claro. Eu estava à frente da empresa municipal que geria toda a parte cultural do município (e não só) e tinha a possibilidade de desencantar uma verba para a possibilidade de trazer até ao ermo interior um certame ou evento do género. Até 15 ou 20 mil, tudo bem; mas ao ler este valor do FIBDA,acho que fiz bem em esquecer a coisa - deixava os noventa funcionários um ano sem vencimento.

Geraldes Lino disse...

Caro Bacchus, aka Manuel Faria, aka Manuel Espírito Santo:

Fui esmiuçar o meu e-mail e constatei que, de facto, recebi (em 30 Out.) essa sua informação relacionada com o "Sama", de que já não me lembrava quando agora, a 25 Nov., fiz o "post" dedicado ao "autógrafo desenhado" que ele me ofereceu.

Na altura não fiz "post" acerca dessa notícia que o Manuel deu para vários blogues, porque, quando recebi o seu mail em 30 de Outubro, já eu tinha feito um "post" acerca do Festival em 26 desse mês, na etiqueta "Festivais, Salões BD e afins", e já tinha preparado outros "posts" para afixar nos dias seguintes ("Exposições BD avulsas", para 29Out., "webcomics" para dia 30,"Coleccionadores e Colecções" para 1Nov., e sobre o Festival AmadoraBD, outra vez, (com informações abrangentes que o CNBDI me enviou, para os dias 3 e 4Nov.).
Peço-lhe desculpa,mas não se justificaria fazer uma notícia isolada sobre esse autor.

A finalizar: disseram-me que o "Sama" vai com alguma frequência ao Porto, talvez até aí esteja agora. Confirma?
E o MAB, autêntico abanão no panorama do Porto,vazio nessa área, será que você tem vontade de repetir a façanha (que muito elogiei aqui no blogue) ou fica-se nas covas "escavadas" pelo MAB nº1?
Abraço.
GL

Geraldes Lino disse...

Pelo que dizes, Santos Costa, assim a saltar de uma caixa de blogue para outra, estás feito em "caixeiro saltitante bloguista" (por mais este salto até ao "divulgandobd", os meus agradecimentos).

Mas saltares de Trancoso até à Amadora, que já vai no 23º Festival BD anual -inquestionavelmente, o mais importante que se faz por cá, quer queiram quer não - isso é que ainda nunca fizeste, julgo eu.
E deixa que te diga, lamento esse desinteresse, num homem que tem raízes bem antigas na BD, ligadas à importante e saudosa revista "Mundo de Aventuras".

Para terminar, Costa, desculpa contrariar-te, mas isso que dizes dos 600 mil ou 700 mil euros, "só na parte de cenários", não corresponde ao que o Machado Dias disse.
O que ele respondeu ao teu comentário, foi que o festival de 2010 custou 760.000 euros; e o de 2011, 577.500 euros. Mas... custou na totalidade, não foi só para os cenários, como estás a afirmar.

Agora que é muita massa, lá isso é (o meu estimado amigo Manuel Caldas, que também entrou nessa caixa de comentários do Kuentro, até ficou escandalizado só com os 300 e tal mil euros, referentes à estimativa para os custos do Festival deste ano...).
E sei que eles aproveitaram todo o material dos anos anteriores, disse-me o Nelson Dona, director do dito cujo.

Se calhar foi por isso que este ano a realização do AmadoraBD 2012 esteve tremido. E não se sabe nada sobre o próximo futuro, que é como quem diz, 2013.

Bacchus disse...

Santos Costa,
Pulular entre caixinhas é muito porreiro:)
Faz com que pensemos que estamos a montar um puzzle bem esquemático na nossa mente:)
Obrigado pelo apoio e já falei várias vezes do MAB (um festival com orçamento ZERO, com uns 15 mil euros fazia uma festa da BD no Porto:))
Geraldes,
Não há problema de não teres feito divulgação, eu somente pretendi acrescentar informação ao que não foi veiculado pelo CNBDI.
Eu e o Sama aturamo-nos mutuamente (tenho um problema grave pois ele não fuma e por vezes dava-me jeito uns cigarritos:))
Ahhh.. E esteve no Mab uma exposição do Sama (coisa que não aconteceu na Amadora)
Quanto ao Mab, tenho sempre vontade de "abanar" as hostes:)
(gosto de movimentar águas:))
No entanto, em 2013 acho que não vai ser possivel porque é muito trabalho só para uma pessoa e muita ginga joga para matutar.
Mas tenho quase a certeza que em 2014 tentarei fazer outro:)
Sei que gostaste dos novos talentos na casa viva e do festival assim como várias pessoas que o visitaram... (Tendo o mesmo algumas virtudes e defeitos:)).
No entanto, orgulho-me de não necessitar de não sei quantas pessoas e centenas de milhares de euros para fazer um festival de BD (sendo o mesmo por isso bem modesto, quase como um convivio de pessoas que gostam da nona arte:)
Eu adorei os autores internacionais:
David Hine (o que me surpreendeu mais), Melinda Gebbie (que é sempre o máximo), Dominique Goblet (uma verdadeira artista), Olivier Deprez (um gajo com grandes principios), Lars Henkel (a minha principal aposta) e o Fabio Civitelli que é um gentleman.
Dos autores nacionais, gosto sempre da postura da Zona, assim como o Ricardo Cabral, Geral e Derradé...
Em suma gostei de tudo:)
Mas como tenho de ser eu a fazer tudo sem orçamento, tenho que ter um pouco mais de "calma" para não estar a fazer um festival e depois entrar directamente num hospício:)
Grande abraço e mandei umas "bocas" acerca da exposição de Fernando Pessoa e companhia aqui na sua sala de visitas:)

Geraldes Lino disse...

Santos Costa: depois das piadas sobre os teus saltos entre caixas (de comentários na blogosfera, portanto saltos virtuais :-) dei eu também um salto, desta feita na conversa, e deixei por responder a uma das tuas observações, que foi a seguinte:

"(...) Lembras-te, Lino? Um dia fiz-te a pergunta sobre quanto seria necessário para uma coisa no género, mas mais pequena, claro (...)".

Penso que me terás feito essa pergunta, decerto sabendo que eu tinha estado altamente envolvido, enquanto elemento directivo do Clube Português de Banda Desenhada, durante quinze anos, no Festival de Banda Desenhada de Lisboa (o primeiro que se fez em Portugal, iniciado em Março de 1982).

E, sim, Costa, lembro-me de teres feito essa pergunta, de difícil resposta.
Isso porque as verbas a despender dependem muito da dimensão do evento, se há convidados estrangeiros ou não (e se há, de onde vêm, uma coisa é virem ali da vizinha Galiza, outra coisa é virem dos Estados Unidos), e se há autores portugueses, com pagamento de passagens e alojamento em Trancoso, a terra onde querias fazer o evento bedéfilo.

Todavia, nesta altura já tens outra gente, com experiências mais recentes, a quem podes fazer a pergunta:

1) Ao Paulo Monteiro, "deus ex macchina" do interessante Festival de Beja (que este ano esteve periclitante, e acabou por se realizar, mas sem qualquer convidado estrangeiro).
Ele poderá dizer-te com conhecimento de causa, visto que é o principal organizador (ele é o responsável pela Casa da Cultura, óptimo local onde se realiza o evento), e está em contacto directo com a Câmara de Beja, a "mecenas" do Festival, e cujo presidente (este recente, já houve outro, o primeiro a apoiar o evento) é sempre quem o inaugura, com pouca pompa, é certo, mas com alguma circunstância.

2) Ao Manuel Espírito Santo, agora aqui mesmo ao teu lado, virtualmente falando.
Pergunta-lhe em quanto importou pôr de pé no Porto o MAB (não incluindo o trabalho "pro bono" dele, da namorada Paula, e de mais uns carolas que conheci por lá, mas cujos nomes não fixei).
Aí tens um que, no caso dele, não teve qualquer apoio económico, apenas logístico, espalhando o MAB Invicta - Festival Internacional de Multimédia, Artes e BD por, salvo erro, três locais do Porto.

Geraldes Lino disse...

Bacchus

Quando dizes que não há problema de eu não ter feito divulgação do "Sama", tomo a liberdade de pôr os pontos nos ii: de facto, não fiz divulgação em separado do "Sama", de acordo; mas convém esclarecer algum desprevenido que por aqui passe, que divulguei o MAB num "post" datado de 7 Março 2012, na etiqueta "Festivais, SalõesBD e afins", onde até escrevi, na rubrica "Exposições", o seguinte:

"Sama: Exposição inédita de originais, prints e serigrafias deste novo e grande artista brasileiro (acho que reproduzi "ipsis verbis" o teu texto).

E visto que acabo de falar do "Sama", apercebo-me que deste a resposta indirectamente à minha pergunta - querendo saber se o autor brasileiro está a viver no Porto, quando dizes, referindo-te a ele: "tenho um problema grave, pois ele não fuma".

Outro assunto: sim, simpatizei imenso com a extensão do MAB, a "Casa Viva", com os seus três andares cheios de referências à BD, à Ilustração e à Caricatura, e com o "people" residente: gente fixe, hospitaleira (como geralmente são os nortenhos), e até lá jantei, acho que uma refeição vegetariana (sou carnívoro, mas quando entro numa confraternização, ponho de parte essas esquisitices).

Acerca das bocas que foram ditas nas traseiras deste blogue, sobre a exposição em Barcelona do Fernando Pessoa, já vi que tive lá mais duas distintas visitas: Bacchus e André Azevedo. Conto entrar na conversa. Fica para amanhã.

Aliás, em relação ao André Azevedo, teria muito gosto que ele também viesse até esta caixa de comentários relativos ao tema "Autógrafos desenhados".

Porque, à pala do Sama, já estivemos aqui a escalpelizar aspectos que têm a ver com Festivais de BD, um tema inesgotável e controverso.



André Azevedo disse...

E cá estou eu caro Geraldes!

Eu fui testemunha de todo o árduo trabalho, todos os problemas e mais alguns que o Manuel Espírito Santo encontrou com o MAB. No início ajudei-o a compor alguns textos sobre os autores convidados e emprestei os meus ouvidos para o Manuel desabafar em algumas conversas de café.

Enquanto decorria o MAB, e por causa de alguns problemas pessoais, não pude dar a ajuda que o Manuel necessitava nesses dias tão atarefados, porque mais dois braços são sempre bem-vindos nem que seja para carregar mesas, cadeiras e o que mais houvesse, porque força não me falta.

Acabado o MAB, começaram as criticas sobre tudo e mais alguma coisa, num festival com ORÇAMENTO 0 e basicamente organizado e realizado por uma pessoa, o Manuel. Festival esse que trouxe o Civitteli à cidade do Porto e que possibilitou a oportunidade de alguns autores ganharem dinheiro com a parceria conseguida pelo Manuel com a Niepoort.

Sim, é isso mesmo, os autores ganharam, além de mais reconhecimento, dinheiro! Foram pagos pelo seu trabalho!

Eu já sabia dos custo do Amadora BD mas não foi por isso que me abstive de o divulgar, pois considero importante existir um festival desta natureza e principalmente pelos autores convidados, no geral muito bons.

Mas...

Quase 700 mil euros de custo? No estado em que o pais está este gasto é escandaloso. Mas que fique bem clara a minha posição: na remota época áurea da Grécia algum afirmou: "Acham a cultura cara? Experimentem a ignorância..." e é uma frase mais do que acertada.

Mas tudo tem um limite, ultrapassado quando o Pedro Mota afirma publicamente isto no Leituras de BD do Nuno Amado:

“É uma pena que a divulgação de BD em Portugal seja maioritariamente assegurada por bloguistas, a quem temos de reconhecer a boa vontade, mas a quem falta conhecimento e responsabilidade.
A conclusão a retirar é a de que as mulheres têm a menstruação e os homens têm a altura do ano em que dizem mal do Festival da Amadora.”

Ridículo e de extremo mau gosto!
E assim não me é possível ficar do lado da AmadoraBD enquanto este senhor por lá andar.

Sama: um grande criador, com um traço muito bom, um grande conhecedor não só de BD mas de várias artes, e principalmente uma pessoa impecável a quem o Manuel me apresentou no outro dia.




Geraldes Lino disse...

Caro André Azevedo

É sempre bem vindo à sala de visitas deste blogue, qualquer que seja o tema em debate.

Diz você que "acabado o MAB começaram as críticas sobre tudo e mais alguma coisa".

Bem, no que diz respeito ao pessoal da BD no Porto, já me apercebi de que há quem não goste lá muito do Manuel Espírito Santo.

Além disso, é característica nossa, bem portuga, dizer mal de tudo. Costumo comentar que dizer bem não dá estatuto. E acrescento que, sendo nós tão inteligentes a criticar, este país deveria estar bem mais avançado, porque todos nós sabemos o que está mal - só falta que façamos bem essas tais coisas.

É um facto que sempre aconteceu muita gente a destacar apenas os defeitos do Festival da Amadora,em detrimento de algumas das suas virtudes - e o facto de existir há 23 anos já é uma virtude. O estupendo Salão Internacional do Porto - onde sempre fui teve um único defeito: não se aguentou.

Quanto a esse comentário, bem infeliz e de mau gosto do meu amigo Pedro Mota, quando o encontrar perguntar-lhe-ei: "Ouve lá, tu passaste-te, ou já entraste na andropausa?".

Outro assunto: Não conhecia essa frase, dita na Grécia antiga, bem interessante, que cita: "Acham a cultura cara? Experimentem a ignorância".
Graças à sua cultura, fiquei a conhecê-la. E gosto dela. Porque, de facto, a cultura é cara, e é por isso que, ainda falando de BD, o grande Festival de Angoulême foi, há uns anos, muito contestado pelos "angoumoisins" onde a "mairie" da cidade investe "em grande e à francesa".
Mas, felizmente, o reconhecimento de que a BD é um foco de cultura e arte, saiu vencedor, e "La Fête de la BD" lá continua. E de que maneira!

Vamos esperar que a Amadora, e Beja, embora com certeza restringindo os respectivos investimentos, continuem a realizar os respectivos festivais.

Geraldes Lino disse...

Caro André Azevedo

É sempre bem vindo à sala de visitas deste blogue, qualquer que seja o tema em debate.

Diz você que "acabado o MAB começaram as críticas sobre tudo e mais alguma coisa".

Bem, no que diz respeito ao pessoal da BD no Porto, já me apercebi de que há quem não goste lá muito do Manuel Espírito Santo.

Além disso, é característica nossa, bem portuga, dizer mal de tudo. Costumo comentar que dizer bem não dá estatuto. E acrescento que, sendo nós tão inteligentes a criticar, este país deveria estar bem mais avançado, porque todos nós sabemos o que está mal - só falta que façamos bem essas tais coisas.

É um facto que sempre aconteceu muita gente a destacar apenas os defeitos do Festival da Amadora,em detrimento de algumas das suas virtudes - e o facto de existir há 23 anos já é uma virtude. O estupendo Salão Internacional do Porto - onde sempre fui teve um único defeito: não se aguentou.

Quanto a esse comentário, bem infeliz e de mau gosto do meu amigo Pedro Mota, quando o encontrar perguntar-lhe-ei: "Ouve lá, tu passaste-te, ou já entraste na andropausa?".

Outro assunto: Não conhecia essa frase, dita na Grécia antiga, bem interessante, que cita: "Acham a cultura cara? Experimentem a ignorância".
Graças à sua cultura, fiquei a conhecê-la. E gosto dela. Porque, de facto, a cultura é cara, e é por isso que, ainda falando de BD, o grande Festival de Angoulême foi, há uns anos, muito contestado pelos "angoumoisins" onde a "mairie" da cidade investe "em grande e à francesa".
Mas, felizmente, o reconhecimento de que a BD é um foco de cultura e arte, saiu vencedor, e "La Fête de la BD" lá continua. E de que maneira!

Vamos esperar que a Amadora, e Beja, embora com certeza restringindo os respectivos investimentos, continuem a realizar os respectivos festivais.

Bacchus disse...

Olá Geraldes e André,
E lá venho eu para aqui com algumas "berdades" (com sotaque nortenho e tudo:))
Primeiro e antes de tudo, assim que comecei a pensar fazer o Mab sem cash... Contactei um senhor muito conhecido da nossa praça que me disse que me ajudava a divulgar o mesmo e pouco mais:(
Logo, comecei a ver ai algumas dificuldades em fazer o mesmo... (pois, divulgação hoje em dia é o mais fácil de se encontrar).
No entanto fui com a minha avante..
Depois surgiu um artigo de opinião num determinado jornal quando o mesmo deveria ser de informação (dado a informação não estar completa) e se existe coisa que não gosto é que desvalorizem o trabalho que executo quando o "meto" na cabeça..
Sei que a critica é fácil, sei que fazer as coisas sem orçamento torna "visivel" dinheiro muito mal gasto na cultura.
Sei porque é que algumas pessoas ficaram "chateadas" comigo (devido ao facto de eu contestar certas coisas e dizer sempre aquilo que penso; talvez devesse ser um pouco mais hipócrita, mas não está nos meus genes)...
Uma coisa posso garantir:
Sou cliente de TODAS as lojas de BD do Porto e dou-me muito bem com todos os lojistas:)...
Dou-me muito bem também com muitos autores e editoras de BD nacionais e estrangeiros...
Logo, falar por falar e deitar abaixo por deitar abaixo para mim tem o valor que tem... E tudo isto funciona na base da bola de neve:
" O Manuel não come a sopa, porque não seguiu os trâmites legais com paragem em "certos" apeadeiros e estações e fez ligação directa sem pausas).
Uma coisa lhe posso garantir, os autores que estiveram no Mab entenderam a minha posição e continuo em contacto com eles e quando quiser fazer outro Mab faço-o com mais autores (mas sei o trabalho que vou ter:().
Tenho imensa pena que o SIBDP não se tenha aguentado, pois era um festival exemplar (dos melhores do mundo) e sei que era feito com um carinho especial (fui a várias edições do mesmo)..
(1ª Parte)

Bacchus disse...

A única coisa que me irrita no AmadoraBD é a forma como gastam imenso dinheiro público e pouco fazem..
A organização do mesmo não chega com FORÇA e GARRA á TV e outros meios de comunicação e permanece muitas vezes num limbo..
Existe muita coisa que não entendo no AmadoraBD e não quero entender:(
Enviam-se emails, não leem os emails, liga-se para lá para falar com alguém da organização não atendem o telefone e pedem o número de quem ligou e não devolvem as chamadas ou emails (o que causa stress desnecessário), é que era eu que estava a fazer um favor á Amadora e não eles a mim...
Nestes "detalhes", o festival de Beja e o Paulo Monteiro fazem a diferença:)
Quanto a tudo o resto:
Com milhares de euros para serem gastos num festival, com salários profissionais mensais para fazerem o mesmo, com um espaço fisico para fazerem o AmadoraBD e com excelentes colaboradores..
Têm que fazer MUITO mais...
Como vê Geraldes, esta é a minha posição no que concerne ao AmadoraBD e nunca vou mudar... (está-me nos genes)...
Fiz um festival/convivio com excelentes autores e com vários espaços com exposições alusivas ao mesmo... Foram ao todo 6 espaços:)
Casa Viva, Belas Artes, Museu Nacional Imprensa, Palacete Viscondes Balsemão,Estação do metro de S. Bento e ainda a região do Douro da Niepoort, com divulgação na Fnac, Metro do Porto, TV, Jornais e blogues nacionais e internacionais.
O festival teve pouca adesão?
As pessoas preferiram ir para a praia ou para Serralves ou para outro local cultural duma cidade como o Porto? Estamos a falar de banda desenhada e não concertos de rock ou outras artes.. (A divulgação exterior que temos sobre BD em Portugal é muito pouca e já omiti várias vezes a minha opinião sobre a falta da mesma)
Culpa disso, eu não tenho:)... O festival poderia ser melhor?
2ª Parte

Bacchus disse...

Claro que poderia, se me fossem dadas outras condições logisticas (nem falo em financeiras) e se tivesse uma equipa um pouco mais experimentada que percebesse um pouco mais desta arte... No entanto sempre fiz "mea culpa" por coisas que eu achei que poderia ter feito mais, mas que não fiz (devido a cansanço entre outras coisas). A minha equipa era eu e o André que não pode estar presente. (e outro membro que saiu da organização devido a querer ter mais protagonismo do que o que tinha na realidade), logo fiquei como o único da equipa que percebia desta arte e que tratava de quase tudo... Contactos com autores, Divulgação, entrevistas exclusivas com os autores (entre muitas outras coisas como deve imaginar:))
E tive o apoio de pessoas que não percebiam muito de BD e nunca tinham ido sequer a um evento de BD.. (e tive o grande apoio da minha namorada que me ajudou no que pode e foi me dando bastante apoio emocional e psicológico antes e depois do Mab e ajudou bastante no evento também). Foi o que se pode arranjar dadas ás limitações nesta área de alguns dos meus colaboradores e foi feito.. (Isso é que é o mais importante)...
Quanto ao resto, na minha opinião foram "peanuts" em bolas de neve que se foram agigantando...
Mas como é óbvio sempre agradeci a todas as pessoas que me ajudaram no que podiam e pessoas pelas quais tenho estima como:
Paulo Monteiro, Pedro Moura, Nuno Amado, André Azevedo, Nuno Franco, Marcos Farrajota, Sara Figueiredo e Costa, Maria José Pereira, o Geraldes Lino, projecto A Zona entre muitos outros...
E pronto, arremato esta questão do Mab... E já sabe o Geraldes (e quem lê o seu espaço) que eu como criancinhas ao pequeno-almoço:) e que deveria comer a "sopinha" toda que gostariam de me dar.. (mas apesar de gostar de sopa, gosto de ser eu a comer a minha sopa sem ajudas nutritivas que me possam deixar entalado e perto dum ataque cardíaco:))
E espero também que Beja continue e quanto ao futuro do AmadoraBD para mim o ideal é que ou mudassem a sua visão das coisas ou que acabassem com tanto dinheiro público mal gasto.
Abraço e saudações bedéfilas
Manuel Espirito Santo
P.S:
(Também sou Manuel Faria, porque o Faria também faz parte do meu nome completo: Manuel José Faria do Espirito Santo, é assim que aparece no meu cartão de cidadão).
3ª parte

GeraldesLino disse...

Manuel Espírito Santo
Estou de acordo com muito do que você diz no seu comentário dividido em 3 partes (às vezes também faço isso), e concordo que, com o orçamento que o CNBDI tem, esperar-se-ia sempre mais.
Mas, lendo a sua crítica acerada ao Festival, ocorreu-me que este ano não o vi lá na Amadora.
Saudações bedéfilas.

Bacchus disse...

É verdade Geraldes,
Não fui á Amadora e não sei se irei nos próximos tempos...
Inclusive das vezes que fui á Amadora nem era para ter ido, mas como estava em Lisboa na altura, fui lá..
E como quando não concordo com algo também perco o apetite de ir a convenções de BD na Amadora ou outro sitio qualquer.
O que ainda fui com alguma regularidade foi o de Beja (que fui a 2 edições), mas como não gosto muito de me deslocar do Porto... (Nem eu sei explicar muito bem o porquê)... É rarissimo ir a convenções de BD... Quando era mais novo tinha mais "paciência" para andar em viagens pelo país fora a ver lojas de BD, convenções, festivais e afins...
Com os anos fui "perdendo" a mesma..
Gostava muito do SIBDP e talvez por isso é que não goste muito de me deslocar a outros cantos do país...
Apesar de louvar aos 4 cantos do mundo um festival fantástico como é o de Beja:)
Abraço