terça-feira, outubro 22, 2013

Astérix entre os Tugas (I)


Que o popularíssimo herói de BD Astérix passou das mãos de Uderzo, exímias a desenhar criativamente, para as de Didier Conrad (e se Goscinny ainda fosse vivo, passaria agora a sua genialidade ficcional e humorística para Jean-Yves Ferri, argumentista sucessor), é um facto sobejamente conhecido pelo público afecto à BD, que também já decorou o título do novo episódio, "Astérix entre os Pictos".

O que especialmente causou surpresa, pelo improvável da situação, foi que houvesse um cartunista/banda-desenhista português, Luís Afonso, que na sua tira diária, "Bartoon", se intrometesse na autoria do herói gaulês e o incluísse num curtíssimo episódio, quatro vinhetas apenas, divulgado no jornal Público (hoje mesmo, 21 de Outubro de 2013, data a registar pelo inusitado da iniciativa editorial). 

A mensagem implícita na sequência tem, como acontece quase sempre, uma intenção crítica sócio-política. A novidade é de, pela primeira vez (tanto quanto me recordo) o "barman" ter como interlocutor um herói famoso da banda desenhada.

Luís Afonso é um atento crítico-cronista que trata por imagens o dia-a-dia da sociedade portuguesa - e não só -, e as suas farpas resumem, em curtas tiras sequenciais, o conteúdo de longos artigos.

Quanto a Astérix, que está agora entre os Pictos na edição oficial, veio participar no imperdível "Bartoon" e assim estar "entre os tugas" mais uma vez, noutra das suas surtidas confidenciais a Portugal, algumas das quais mostrarei em futuras postagens...   

9 comentários:

Pedro Moura disse...

Caríssimo Lino, são quatro vinhetas.
Está divertido, mas enquanto "farpas", está algo romba... O que era necessário é que o Óbelix resolvesse dar uso aos menires...
Abraços,
Pedro Moura

enanenes disse...

Caro Lino:
Aproveito para divulgar onde se encontra sedeado o estabelecimento de bebidas Bartoon, no qual os leitores podem ler as tiras com melhor qualidade gráfica.
Bartoon
Abraço,
Nuno

Geraldes Lino disse...

Caríssimo Moura

Tem toda a razão, estou actualmente a cometer muitas distracções (como se costuma dizer, "a idade não perdoa"). São de facto quatro vinhetas, e não três. Agradeço a correcção.

Sim, concordo com a sua análise. O sentido crítico do "gag" acaba por ficar diluído, não corresponde ao nível habitual do Luís Afonso.

Todavia, há a considerar que não será fácil conseguir ter graça, e simultaneamente fazer crítica pertinente, todos os dias, numa exígua plataforma de quatro vinhetas...

Grato pela visita.
Grande abraço,
Geraldes Lino

Geraldes Lino disse...

Caro Enanenes

Agradeço a tua informação, complementada pelo endereço do "site" do jornal Público onde se reproduzem todas as tiras, dia a dia.

Mas digo-te uma coisa: apesar de gostar muito de me passear pela internet, neste específico caso das tiras do Bartoon tenho muito mais gozo em vê-las/lê-las no jornal, diaria e matinalmente, num café lisboeta.

A propósio de lisboeta: presumo que nunca mais vieste à sempre leal cidade, desde aquela vez em que era para ires à Tertúlia BD de Lisboa, e tiveste um problema qualquer, ou foi a tua mulher que teve, já não me recordo bem, passou-se isto há uns (quantos?) anos...

Abraços,
GL

Geraldes Lino disse...

A propósito, e não "a propósio".
Estas gralhas...

Luís Graça disse...

Pelo que me apercebi, no primeiro dia o Astérix vendeu de forma irrelevante.
Sinal dos tempos.
Pelas 21 horas perguntei na Bertrand Chiado se já tinham vendido muitos.
--- Não estive sempre aqui, mas penso que foram dois--- disse o livreiro.

Geraldes Lino disse...

Viva, Luís Graça, sejas bem (re)aparecido cá pelo blogue!

Haverá factores vários que justificarão esse aparente desinteresse: substituição dos autores de prestígio - primeiro desapareceu Goscinny, agora Uderzo - por outros bem menos conhecidos; o crescimento de uma geração mais ligada ao visionamento de BD pelas novas tecnologias, incluindo a "velha" internet, do que pelos objectos de papel, revistas e álbuns; e, "last but not the least", a crise económica a crescer, portanto a limitar as disponibilidades para despesas não indispensáveis.

Enfim, estás a lançar um bom tema para reflexão e discussão.

Grande abraço.
GL

dfg disse...

Náo tivemos mais incursóes de Asteríx entre os Tugas.

Hoje na RTP2 vai voltar a dar um documentário sobre "Estética e Propaganda" no 25 de Abril. Penso que foi um programa que deu há alguns meses e em que aparece um extracto que fala da participação de Vitor Péon na campanha de Pinheiro Azevedo e que nem tinha conhecimento. Este meu contacto é porque aparece uma imagem com uma citação a´s aventuras de Astérix e que agora encontrei na internet.

http://arpose.blogspot.pt/search/label/Vitor%20P%C3%A9on

http://arpose.blogspot.pt/2011/01/eleicoes-presidenciais-1976-iii.html

Penso que é o livro "25 de Abril e a banda desenhada " que tem referências ao livro "Pais dos Cagados" e a alguns cartoons publicados nos jornais, etc. Na net também aparecem alguns textos.

Estando na altura do 25 de Abril poderia ser uma ideia voltar às brincadeiras com Astérix e relembrar uma ou outra situação que misturam bd com essa altura.

dfg disse...

Inimigo Público - 28 abr 2017
http://24.sapo.pt/jornais/nacional/6286/2017-04-28#&gid=1&pid=18