sexta-feira, fevereiro 10, 2012

Comic Jam - 38ª prancha

A Tertúlia BD de Lisboa é, com certeza, o sítio na capital onde se podem encontrar mais autores de banda desenhada por metro quadrado.

Bom, há que esclarecer o seguinte: quando aqui no blogue se mencionam autores de BD, isso não significa - infelizmente - que sejam autores a tempo inteiro. Ou seja: na realidade são indivíduos - uns ainda muito jovens, outros já adultos - que vão fazendo bandas desenhadas nos suportes que lhes aparecem: álbuns (o mais difícil e raro), jornais, fanzines, revistas alternativas, revistas de outros temas mas que incluem alguma bd, blogues, enfim, onde calha...

Ora é exactamente esse género de pessoas que constitui uma boa parte dos participantes mensais da TBDL. Exemplo: no encontro realizado no passado dia 7 deste mês de Fevereiro, estiveram lá umas tantas que têm jeito para o desenho e que, num qualquer dos suportes antes mencionados, já tiveram bedês publicadas.

Nomeio-as por ordem alfabética: Álvaro, Ana Saúde, André Oliveira, Bruno Ma, Carla Rodrigues (que foi a Convidada Especial, e cuja autobiobibliografia podem ler no antepenúltimo "post"), Falcato, FIL, João Amaral, Moreno, Nuno Duarte aka Outro Nuno, Paulo Marques, Pedro Carvalho.

Entre todos, houve seis que se encarregaram de elaborar o comic jam (ou "cadáver esquisito") que ilustra o presente "post", e que foi iniciado, como sempre acontece, pelo/a Convidado/a Especial. Eis os respectivos nomes, seguindo a ordem das vinhetas:

1ª vinheta: Carla Rodrigues (C.E.)
2ª -------- : Pedro Carvalho
3ª -------- : FIL
4ª -------- : João Amaral
5ª -------- : André Oliveira
6ª -------- : Paulo Marques
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Os visitantes interessados em ver os numerosos "comic jam" já afixados, poderão fazê-lo com um simples clic sobre o item Comic Jam visível no rodapé.

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Improvisos na toalha de mesa (VI)

Desenhar enquanto se espera pelo prato pedido, ou após a refeição, é capaz de ser acto compulsivo de qualquer ilustrador/autor de banda desenhada.

Nuno Duarte aka Outro Nuno, é bem o exemplo deste tipo de compulsão, o que se pode comprovar pelas duas composições que ilustram o "post", e também por anteriores postagens, realizadas por autores diversos, geralmente de ilustrações avulsas - com a única excepção de uma banda desenhada feita de improviso por Pepedelrey.
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Para o caso de alguém querer ver essa bd improvisada e/ou outras ilustrações realizadas de improviso, poderá fazê-lo clicando sobre o item Improvisos na toalha de mesa, visível no rodapé

domingo, fevereiro 05, 2012

Tertúlia BD de Lisboa - 331º Encontro - Janeiro 2012





Carla Rodrigues, Convidada Especial da Tertúlia BD de Lisboa, preencherá a componente de tertúlia propriamente dita, visto que se apresentará aos participantes, enquanto autora de banda desenhada, e proporcionará a possibilidade de lhe serem feitas perguntas sobre o que está a ser a sua ainda curta experiência na banda desenhada. E até haverá, como de costume, uma curta sessão de autógrafos.

Após a auto-apresentação de Carla Rodrigues, ser-lhe-á entregue o habitual Diploma de Incentivo, que é exactamente a finalidade dessa sessão, incentivar um(a) novel autor(a) de BD.

(A Convidada Especial da TBDL desloca-se propositadamente do Porto a Lisboa)

A ilustrar este "post" estão imagens das seguintes bandas desenhadas:
1 - Absurd Auditorium - Autoria: Carla Rodrigues (desenho), Martin A. Pérez (argumento)
2 - A Garagem de Kubrick - Autoria: Carla Rodrigues (desenho), J.B.Martins (argumento)
3 - O Colega de Quarto - Autoria: Carla Rodrigues (desenho e argumento, este baseado numa lenda urbana)
4 - Empregado Precisa-se - Autoria: Carla Rodrigues (desenho), J.B.Martins (argumento)
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Carla Rodrigues
Autobiobibliografia

Nasci no Porto, em 1984.
Desde muito pequena que cultivo um enorme gosto pelo desenho, principalmente graças ao meu avô, antigo estudante de Belas Artes, que passava horas comigo a desenhar as mais variadas coisas. O gosto pela BD apareceu quase de mãos dadas, esse graças ao meu pai, que me apresentou a clássicos como o Tintin, Spirou ou Mafalda quando era ainda bem pequena.

Desenhei durante toda a infância e vida escolar, embora academicamente o meu percurso tenha sido outro. Na escola secundária, enveredei pela área de Ciências e acabei por estudar Biologia na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, tendo concluído o Mestrado em 2009.

Entre a exigência das aulas e outras azáfamas, a minha periodicidade com o desenho tinha vindo a perder-se um pouco. Para recuperar a forma, decidi em 2005, começar a aprender a fazer uso de ferramentas digitais para o desenho. Isso, juntamente com o ter-me juntado a uma comunidade de arte online bastante conhecida (o DeviantArt), fomentou de novo o desejo de explorar, de melhorar e de crescer com o desenho. Comecei a desenhar cada vez mais, o que me ajudou a melhorar o traço e a técnica de pintura.

Nesta altura, explorava essencialmente a ilustração, mas em 2009, e através de um contacto feito no Deviantart, surgiu a oportunidade de fazer a estreia no mundo dos fanzines, numa colaboração com André Oliveira para o Tertúlia BDZine (nº 136), com uma bd intitulada "Ninguém Segura a Múmia!".

Também em 2009, em parceria com J.B Martins, comecei a publicar o webcomic "A Garagem de Kubrick" no Cineblog, o blog de cinema de J.B. O webcomic é actualizado regularmente, geralmente de forma quinzenal. A sua plataforma principal é a internet, mas teve algumas páginas publicadas no fanzine Funzip #5, assim como na revista de cinema Total Film, que durante alguns meses foi a casa da "Garagem de Kubrick".

Em 2010, publiquei a BD "O Assassino do Martelo", com desenho e argumento de minha autoria, na Zona Negra, edição da Zona para a qual também fiz a capa. Fiz uma bd de 4 páginas intitulada "O Colega de Quarto" para o Venham + 5 (nº7), voltando a ser eu autora completa (argumento e desenho meus)

Mais uma vez em parceria com o meu amigo e argumentista J.B. Martins, desenhei a bd de 3 páginas "Empregado Precisa-se", para a Zona Negra 2, bd essa que foi distinguida em 2011 pelos IX Troféus Central Comics, com o prémio de Melhor Obra Curta. Ainda em 2010, fiz uma bd curta de uma página para a Zona Gráfica 1, com o título "Vampiros Através dos Tempos".

Em 2011, comecei com uma nova colaboração com J.B. Martins, numa bd de 4 páginas intitulada "O Meu Namorado", para a Zona Monstra. Colaborámos igualmente na bd "Os 3 Pastorinhos vs. o Diabo", publicado em Zona Gráfica 2.
No final de 2011, colaborei com Martin A. Pérez, um autor uruguaio na criação de uma curta de bd para a rubrica "MVT'S Absurd Auditorium", analisando o verdadeiro significado por trás de uma conhecida canção dos Police.

De momento, encontro-me a trabalhar em 3 bedês diferentes, ao mesmo tempo que continuo a fazer a "Garagem de Kubrick", que me dá muito prazer.

www.facebook.com/agaragemdekubrick
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Participantes (lista elaborada a posteriori)

1. Adelina Menaia;
2. Álvaro
3. Ana Saúde
4. André Oliveira
5. António Isidro
6. Bruno Ma
7. Carla Rodrigues
8. Cátia Alves
9. Cristina Amaral
10. Falcato
11. FIL
12. Geraldes Lino
13. Helder Jotta
14. Isabel Estanislau
15. Joana Andrade
16. João Amaral
17. João Figueiredo
18. João Luís Spínola Rodrigues
19. João Sequeira
20. Manuel Valente
21. Miguel Ferreira
22. Miguel Peres
23. Moeno
24. Nuno Amado "Bongop"
25. Nuno Duarte "Outro Nuno"
26. Nuno Neves "Verbal"
27. Paulo Marques
28. Pedro Bouça "Hunter"
29. Pedro Carvalho
30. Rui Rôlo
31. Simões dos Santos
32. Vasco Câmara Pestana
33. Vidazinha, Ana

A fim de ver os anteriores "posts" deste tema, bastará clicar sobre o item Tertúlia BD de Lisboa, visível no rodapé

Improvisos na toalha de mesa (V)





Fazer ilustrações na toalha de mesa do restaurante, quase todos os desenhadores fazem. Todavia, fazer bandas desenhadas curtas, ou mesmo curtíssimas, é bastante raro.

Mas Pepedelrey - ilustrador, autor de BD, editor - não tem qualquer dificuldade em fazê-lo: da sua inspiração e talento para a improvisação gráfica - bem patentes na bd que se pode ver no topo do "post" - ficam marcas nas toalhas de papel do restaurante onde há bastantes anos se efectuam os encontros mensais da Tertúlia BD de Lisboa.

Curiosa é a legenda com que o Pepe finalizou o improviso: "A minha primeira bd de 2012". Esperemos que seja a primeira de muitas ao longo do ano. Um talento como o dele merece ser visto com frequência.

Quanto às ilustrações, bem numerosas, espalham-se pelas mesas, e rapidamente são "reservadas" pelos participantes na tertúlia, ficando uma ou outra para este bloguista. É o que acontece com as que aqui estão reproduzidas.

Por exemplo: a seguir à bd do Pepe estão dois retratos femininos, desenhados pela Petra, em que ela própria se auto-retrata (à direita), com a amiga Rechena (à esquerda).

Claro que também a Rechena, aka Dona Zarzanga, não pára de desenhar (e colorir), ficando o resultado à vista (3ª imagem), com alguma carga mística, ou não tenha nascido ela na altaneira e solitária aldeia de Monsanto.

Outro ilustrador/autor de BD que vai para a tertúlia armado de material de desenho, incluindo o que implica colorização, é o Nuno Duarte aka Outro Nuno, e os resultados artísticos do autor da personagem "Mocifão" são, não raro, impressionantes (veja-se a 4ª e última imagem).
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Quem quiser ver os quatro "posts" anteriores com este tipo de desenhos improvisados, poderá fazê-lo clicando no item Improvisos na toalha de mesa inserido no rodapé

Comic Jam - 37ª prancha

Na Tertúlia BD de Lisboa, a tradição no "Comic Jam" ainda é o que era. Ou seja: é, desde sempre, o Convidado Especial que faz a vinheta inicial dessa banda desenhada colectiva, cujo fio condutor ficcional vai sendo feito por cada um dos participantes, à medida que lhe ocorre a sequência.

Coube, desta vez, a primazia a GEvan, seguido por mais cinco autores que improvisaram, cada um de per si, a sequência que imaginaram. Vejam a sequência de seis vinhetas, no topo do "post".
Os nomes dos respectivos autores/improvisadores fica registado aqui por baixo:

1ªvinheta - GEvan - Convidado Especial no encontro de 6 de Dezembro da TBDL
2ª vinheta - Filipe Teixeira "Texugo"
3ª vinheta - Potier
4ª vinheta - J. Mascarenhas
5º vinheta - Joca, aliás João Amaral
6ª vinheta - Falcato


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Os interessados em ver as postagens anteriores deste tema poderão fazê-lo clicando no item Comic Jam inserido no rodapé

Autógrafos desenhados (XVIII) - Joe Kubert

Nos primeiros anos que visitei eventos dedicados à banda desenhada, a minha ânsia de conhecê-los levou-me a Lucca, a Angoulême e, por fim, a Barcelona, neste caso pela primeira vez em 1985.

E reconheço que uma das coisas que mais me entusiasmava era estabelecer contacto pessoal com aqueles autores que tanto admirava. Quando localizei Joe Kubert, esperei o tempo que foi preciso - como não? - para obter um autógrafo.

Quando finalmente chegou a minha vez, disse-lhe como admirava a sua arte. E, claro, passei-lhe o "sketch book" para as mãos...

A ilustração visível no topo deste "post" foi a minha prenda memorável desse dia.
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JOE KUBERT

Síntese biobibliográfica

Joseph (Joe) Kubert nasceu em 18 de Setembrode 1926, na Polónia, mas seus pais emigraram para os Estados Unidos da América quando ele tinha apenas dois meses de idade. É presumível que tenha sido naturalizado americano.

A sua preparação iniciou-se com um estágio no estúdio de Harry A. Chesler, em 1939, passando em seguida a frequentar a New York's High School of Music and Art.

O seu início na BD deu-se em 1941, nos "Catman Comics", com os grupos editoriais "Quality", em "Phantom Lady" e "Espionage", MIJ em "Flag-Man", "Boy Buddies" e "Black Witch", e em 1943, para a DC, onde Kubert trabalhou em várias séries de "comic strips" (entre 1943 e 1949), nas quais se incluem "Johnny Quick", "Zatara", "Newsboy Legion", "Shinning Night", "Crimson Avenger", Hawkman", "Dr. Fate" e "Flash". Ainda nessa época trabalhou também nas séries "Shick Gibson", "Zebra" e "Black Cat".

Inicialmente influenciado por Hal Foster e Alex Raymond - como muitos outros dessa geração -, ele evoluiu para um estilo de claros-escuros mais contrastados, o que lhe granjeou notoriedade nos anos 1950, integrando-se no grupo editorial Archer St. John, onde realizou uma bd intitulada "Tor", em que Kubert era autor completo - escrevia o argumento, passava-o a guião, desenhava o "layout", fazia a arte-final e coloria (o que não está mesmo nada nos esquemas de trabalho nos "Comics" americanos). Ao longo dos anos sessenta, ele desenhou "Cave Carson", "Rip Hunter" e "Sea Devils".

A série "Tor" tinha entretanto granjeado grande fama, o que levou a editora National a convidar o autor/artista a retomá-la em 1975.

Posteriormente Kubert centrar-se-ia em séries de guerra, nomeadamente "Sgt. Rock", "Enemy Ace" e "Unknown Soldier", contando então com o argumentista Bob Kanigher. Especialmente "Enemy Ace" - em que surgia a personagem Baron Von Richtofen - tornou-se um exemplo de escelente trabalho baseado nos aviões da Grande Guerra.

Nessa mesma década de 1950 a 1960, Kubert dedicou-se a uma série de sword and sorcery, "Viking Prince" e para o renascido Hawkman.

Nos anos 1966 e 1967, ele passou a colaborar nos jornais Chicago Tribune - New York News, com a famosa série "Green Barets".

Nesse último ano de 1967 deu-se o regresso à National, voltando a responsabilizar-se por várias séries, entre as quais "Tarzan", sendo que esta, nas décadas de 1970 e 1980, lhe granjeou grande prestígio.

Foi exactamente sobre essa série que incidiu o meu pedido, ao qual Joe Kubert amavelmente acedeu, traçando de improviso este meu desenho autografado de estimação, visível no topo do "post".

Informação adicional "a posteriori"
Joseph "Joe" Kubert faleceu em 12 de Agosto de 2012.
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Os interessados em ver as 17 postagens anteriores deste tema (onde se incluem grandes nomes da BD, tais como Aragonés, John Buscema, Manara, Mordillo, Moebius, Neal Adams, Quino, Solano López, Juan Zanotto, entre muitos outros), poderão fazê-lo clicando no item Etiquetas: Autógrafos desenhados inserido no rodapé.

Colóquios sobre BD

Há um agitado movimento de feiras de publicações independentes - a "Feira Laica" é a de maior visibilidade e antiguidade - onde banda desenhada e ilustração surgem nos fanzines, em revistas independentes e edições alternativas.

A 2ª Feira de Publicação Independente enquadra-se, como é óbvio, nesse género. Efectua-se precisamente hoje, dia 23 de Novembro, na FBAUP-Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. E na Sala de Aulas terá lugar um colóquio, com a presença de Marcos Farrajota - autor de BD e editor, ligado à editora independente MMMNNNRRRG, que, para além de explicar em que consiste o projecto editorial de que faz parte - além de falar dos respectivos processos de produção e das motivações que levaram ao desenvolvimento do projecto -, explanará vários tópicos bastante pertinentes. Ficam aqui registados apenas alguns:

- Perante o mercado editorial português, dominado por grandes distribuidoras como a FNAC ou a Bertrand, será que a edição independente aparece como alternativa a este tipo de mercado? Ou terá motivações completamente distanciadas desta ideia?

- Quais as primeiras dificuldades com que se depara um editor que quer começar uma publicação ou uma editora? Quais os principais problemas?

- Como é que se gere um projecto editorial independente? É possível ter uma estrutura económica sustentável? Têm como objectivo o lucro? Será admissível solicitar apoios ou subsídios ao Estado ou a outras instituições?

Marcos Farrajota exporá estes e outros tópicos, e responderá a questões que espera lhe sejam colocadas, a propósito da publicação independente, quais os motivos que atraem tanta gente à edição alternativa (dinheiro? paixão? entusiasmo?)

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Quem estiver interessado em ver quais os temas que têm sido tratados anteriormente, basta clicar no item Colóquios sobre BD, Conferências, Palestras visível no rodapé

sábado, fevereiro 04, 2012

Fanzines, esses desconhecidos (XLIX)


Hoje, 4 de Fevereiro, sábado, pelas 17h30, inaugura-se em Coimbra, nas instalações da Associação Arte à Parte, situada no Arco do Almedina, uma fanzineteca, que vai ter o nome de "Fanzinoteca UzineFanzine".
Tive conhecimento da novidade através de uma notícia da Lusa, e reconheço que se trata de uma iniciativa notável.

Pelo que li, a ideia de criar este equipamento dedicado em exclusivo aos fanzines partiu de dois fãs de zines, Fernando Ferreira - responsável pelo blogue UzineFanzine, para o qual tenho um link no meu outro blogue, o http://fanzinesdebandadesenhada.blogspot.com - e Nuno Loureiro, editor de um extinto fanzine, o Vortex., os quais cederam os respectivos acervos.

Curiosamente, embora o bloguista Fernando Ferreira saiba da minha existência, enquanto bloguista e fanzinista, visto que até já fez referências a fanzines meus no blogue UzineFanzine (Jazzbanda, em 2006, e Anãozine, em 2009) -, não fui contactado para fornecer exemplares de mais fanzines por mim editados (e já tenho a meu crédito catorze títulos, desde o Eros ao Efeméride) - destinados ao acervo da citada associação.

Estes dois entusiastas decidiram constituir um arquivo sob o formato de biblioteca, a que deram o nome de Fanzinoteca (*) - que será a primeira do seu género em Portugal -, localizada na sede da citada associação cultural, onde haverá espaço para a conservação de mais de mil exemplares, que faziam parte do acervo dos dois coleccionadores citados, e que abrange variadas temáticas, desde a banda desenhada à poesia, passando pela música, pela política e até pela culinária, não esquecendo decerto a ilustração.

O citado equipamento irá ser inaugurado com a presença de especialistas, editores e entusiastas - segundo reza a nota distribuída pela RTP Notícias -, e haverá também o lançamento de um novo fanzine, intitulado Ricardo, realizado durante um evento chamado "Risca, Corta e Cola", certamente levado a efeito em Coimbra.

(*) Se o Cinema tem uma Cinemateca, o fanzine deveria ter uma Fanzineteca (o livro, cujo vocábulo deriva de biblio, esse é que, naturalmente, deu azo à palavra Biblioteca). No Brasil até há uma Zineteca.

Não estou a inventar nada, o vocábulo correcto até já existe. Veja-se:

Twitter / fdacma: adelanto de la fanzineteca ...
  1. https://twitter.com/fdacma/status/96700623776530432Em cache
  2. adelanto de la fanzineteca en fbk http://t.co/ebfGSXd.
  3. Los origenes de la fanzineteca on Twitpic

    twitpic.com/6iu5l3Em cache - Traduzir esta página
    10 Sep 2011 – Los origenes de la fanzineteca. arrow. name. twitter username. @reply to tagged user. Hide map and return to photo. Los origenes de la ...
  4. fdacma : llego el fanzine Cabeza a la fanzineteca gentileza Ivan ...

    twicsy.com/i/dGCWQEm cache - Traduzir esta página
    RSS Feed · @fdacma llego el fanzine Cabeza a la fanzineteca gentileza Ivan Rosado http://t.co/sgARdh3a - 2011-10-07 22:01:07 ...
  5. ABC comemora Dia Mundial do Fanzine
    www.overmundo.com.br/.../abc-comemora-dia-mundial-do-fanzineEm cache
    28 abr. 2011 – Além de ser exposto no evento, o material recebido entrará para o acervo do Projeto OFICINATIVA e participará das andanças da fanzineteca ...
NOTA FINAL
É verdade que em França, em Poitiers, há um equipamento cultural dedicado aos fanzines e que se chama "fanzinothèque", e daí, muito provavvelmente, os dois fanzinistas de Coimbra terem-se baseado nesse precedente.
Mas quem criou esse equipamento ter-se-á baseado na palavra Bibliothèque (com origem em biblio), tendo-se esquecido, ou não tendo reparado, que para o Cinema têm a Cinemathèque. Ou seja: a última vogal é que determina a formação da palavra.
E, devido a só agora criarmos uma biblioteca para os fanzines, tínhamos a possibilidade de não repetir essa incorrecção.
Paciência, já é muito bom que haja um espaço dedicado aos fanzines. 

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A imagem (de origem brasileira) que ilustra o presente "post" foi escolhida por mim por dois motivos:
1) Não encontrei nenhuma imagem relacionada com a Fanzinoteca UzineFanzine.
Ou seja, a organização não editou nenhum cartaz, que eu tenha visto.
2) Porque fala numa Fanzineteca Central Zine  

Fanzines, esses desconhecidos (XLVIII)




Editado com a finalidade de ser oferecido a todos os participantes da Tertúlia BD de Lisboa, o Tertúlia BDzine é o fanzine português de banda desenhada com mais números publicados, 168, este último editado com data de 3 de Janeiro de 2012, dia em que se realizou a TBDL.
Ou seja: o TBDz terá sido, quase de certeza, o primeiro fanzine a "nascer" neste novo ano.

Sem periodicidade (*), sem fins lucrativos, editado por um editor-amador - três das especificidades que caracterizam e definem os fanzines -, o TBDzine é umas vezes editado a preto-e-branco, outras em policromia.

Neste mais recente número do fanzine - a cores - surgiu a banda desenhada Reunião dos Seres Encantados, feita propositadamente para ele por um novo da BD, de seu nome artístico Claudino Monteiro - cuja biobibliografia pode ser lida na anterior postagem datada de 1 Janeiro 2012.
.
(*) Ou com periodicidade estabelecida mas não cumprida, ou ainda com uma periodicidade absurdamente alargada, tipo de ano a ano, são outros aspectos que caracterizam esta componente nos fanzines. Bem diferente, como é óbvio, das revistas comerciais.
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As anteriores postagens relacionadas com este tema podem ser vistas, basta para isso clicar no item Fanzines esses desconhecidos visível aqui no rodapé

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Festivais, Salões BD e afins - (Odemira) 6ª BDteca


A BDteca 2012 - 6ª Mostra de Banda Desenhada de Odemira abarca três componentes.

-  A realização de um concurso de BD, cujo início se deu a 16 de Janeiro - e assim, é essa a data que a entidade organizadora considera como início do evento BDteca 2012.

- Uma exposição com pranchas de BD de Paulo Monteiro, que será inaugurada a 11 de Fevereiro.

Por conseguinte, em conformidade com a organização do evento, a BDteca iniciou-se oficialmente a 16 de Janeiro, aquando da divulgação do concurso de BD (neste blogue foi divulgado o regulamento no "post" de 17 de Janeiro).

Mas, na realidade, enquanto acto público visitável, a Mostra começa a surgir com visibilidade no dia 11 de Fevereiro, quando se inaugurar a exposição com as pranchas da bd "O Amor infinito que te tenho e outras histórias", em simultâneo com a apresentação da obra a ser feita pelo próprio autor, Paulo Monteiro (director da Bedeteca de Beja).

A exposição estará visitável até 29 de Fevereiro.

- A 18 do mesmo mês terá início a terceira componente, a Feira do "Comic Book" e da BD, que se realiza com o apoio da livraria coimbrã Dr. Kartoon - especializada em BD, como sabem todos os bedéfilos. Esta feira estará a funcionar até 17 de Março.

Ainda nesta data de 17 de Março terá lugar a sessão de entrega de prémios aos vencedores do Concurso de BD, e a exposição com as bandas desenhadas participantes estará patente durante um mês, ou seja, até 17 de Abril.

Portanto, segundo o critério dos organizadores no que se refere à duração do evento, teremos: 16 de Janeiro a 17 de Abril.

A organização do evento assenta em três pilares:
Município de Odemira, Biblioteca Municipal José Saramago, e "A Sopa dos Artistas" - Associação Local de Artistas Plásticos.

sábado, janeiro 28, 2012

Webcomics (I) - Van Dog, por A. Pilar



O cão Van Dog, na sua tira VD245 (2012/01/23) que ilustra o presente post, menciona uma certa Agência Van & Dog's, e informa, com ar vitorioso, o dono (de que apenas se vêem as pernas e que, presume-se, representa António Pilar, o próprio autor da tira de banda desenhada) que aquela prestigiada agência - é a sua opinião, francamente suspeita - subiu o reitingue (sic) de Portugal para AAA!


A explicação para tão surpreendente notícia é impagável. Nada que surpreenda os visitantes habituais do blogue VAN DOG, já habituados ao humor certeiro que Pilar imprime a estas imperdíveis tiras.


"Olá pessoal, o meu nome é Van Dog, VD para os amigos...", assim diz ele, no post de apresentação datado de 24 de Julho de 2007.


Desde então até 23 de Janeiro de 2012, data da postagem mais recente, Van Dog já protagonizou 245 episódios semanais, compostos por tiras divididas habitualmente em quatro vinhetas (esporadicamente, apresentam menos), sempre com inquestionável humor.

Em todo o universo da world wide web têm proliferado os webcomics (há quem lhes dê o nome de online comics), quer em tiras  quer em pranchas, editados com maior ou menor regularidade.
Em Portugal também há uma considerável quantidade de autores a fazerem bandas desenhadas expressamente para a net, daí que, desde há dois ou três anos, me tenha surgido a ideia de criar uma rubrica específica. Só não o fiz no intuito de evitar dispersar-me ainda mais na já numerosa diversidade de temas que trato no blogue.
Mas o Van Dog reavivou-me essa intenção já antiga. Concluí que algum dia teria de a concretizar. Foi hoje.

Podem acompanhar o Van Dog e, implicitamente, o seu dono A.Pilar, no endereço
http://vdcartoons.blogspot.com

Nota do bloguista: caros visitantes: não se esqueçam de clicar em cima da imagem para a ampliar e tornar legíveis as legendas dos balões (peço desculpa aos iniciados, claro que esta conversa é apenas para os iniciantes) 
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PILAR, A.

Autobiobibliografia

Pilar autobiografa-se da seguinte forma (cito):

"António Pilar nasceu em Lisboa. Até à 4ª classe o seu desempenho deixava antever um futuro brilhante.
Mas, na realidade, esse foi o seu ponto alto, social e profissional.
Nada a assinalar desde então, se exceptuarmos um curto período (de Outubro a Dezembro de 1975) em que fez parte da gloriosa Junta Revolucionária que tomou o poder na revista de banda desenhada Visão.
Terminou a sua actividade de escravo ao mais baixo nível, como director criativo numa agência de publicidade.
Actualmente continua empenhado em fazer o menos possível. Uma canseira!
Ah! Quem estiver mesmo muito interessado em seguir as atribulações semanais de um rafeiro chamado Van Dog, pode fazê-lo em
www.vdcartoons.blogspot.com "

(fim de citação)

Nota do bloguista (ou bloguer, segundo outros)


O texto autobiográfico acima é, obviamente, brincalhão e deliberadamente vago. Pela minha parte, tomo a liberdade de acrescentar uns indispensáveis elementos relacionados com a colaboração deste autor, realizada para a tal revista Visão por ele citada, de que se publicaram doze números, entre Abril de 1975 e Maio de 1976.
Existência curta mas suficiente para revolucionar o panorama da BD em Portugal. Ele foi um dos colaboradores, aparecendo pela primeira vez no nº 2 (15 de Abril 75, o que contraria a data de Outubro que indica na sua autobiografia) sob o simples nome Pilar, na banda desenhada  Booz ave d'arribação, em seis pranchas (coloridas por Marieanne), volta a participar no nº7 (10 Out.75) com o episódio Conto de Fadas em 3 Quadros Um Prólogo e Um Epílogo, também em seis pranchas a cores, sendo desta vez de sua autoria desenho e colorização; faz mais um episódio de Booz, ave de arribação, em apenas uma prancha, a preto e branco (nº 8, 10 Nov. 75), mas que assina como "anton". E finaliza a sua colaboração nesta revista com uma bd sem título, em quatro pranchas a cores, assinadas da seguinte forma: dessin, Jeremiah (pseudónimo ocasional de A. Pilar), couleur Marieanne - artista belga casada na época com o parceiro desenhador (Visão nº 9, 20 Jan.76).

Saindo da Visão, acrescento ainda: com um interregno de muitos anos, deparou-se-me o nome A. Pilar num blogue dedicado ao divertido e muito crítico cão Van Dog (um rafeiro, como o classifica, depreciativamente - ou ternurentamente? - o seu dono/criador gráfico), sempre desenhado a preto e branco.

Que, a meu pedido, ganhou cores para sair do espaço virtual e poder entrar no clássico suporte de papel de um jornal - por acaso todo impresso em policromia -, o semanário gratuito Mundo Universitário, onde se apresentou numa banda desenhada que teve por título o seu nome, na respectiva rubrica BD, ocupando o espaço total de uma página em formato tablóide, no dia 31 de Março de 2008.

Pilar voltou a colaborar comigo no fanzine Efeméride (nº4, Jan.2009) em obra colectiva dedicada ao tema "Tintim no Século XXI", com a bd paródica A Última Escala do Sirius.
G.L.

quarta-feira, janeiro 25, 2012

Coleccionadores e Colecções de BD (II)




Na década de 1980, o editor da revista Coleccionando convidou-me para escrever algo que tivesse a ver com coleccionadores e colecções de banda desenhada.

O primeiro texto com que colaborei já aqui está postado no blogue, na rubrica homónima do título deste "post", na data de 22 de Junho de 2010, em que falei de várias invulgares colecções, mas o texto aparece truncado - falta uma considerável parte, terá sido algum vírus? -, só agora que vim ver o que tinha escrito dei por isso, e terei de o reescrever.

Neste segundo artigo que escrevi para a revista (nº3-Jan./Fev.1984), falei de álbuns de BD - género de publicação que tinha ganho grande força entre nós, em especial na década anterior.

É esse texto que em seguida reproduzirei, para facilitar a leitura, visto que os caracteres usados na revista eram de pequeno tamanho. Chamo a atenção para o facto de que esta narração já muito pouco tem a ver com a situação actual, mas não deixa de ser um exercício mental atraente cotejar situações editoriais, preços...
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COLECCIONANDO BANDA DESENHADA

Álbuns de BD, novo tipo de coleccionismo

Poucos serão aqueles que nunca tenham coleccionado uma qualquer revista de Banda Desenhada - pelo menos enquanto jovens.
Passados quinze, vinte, trinta anos, as pessoas lembram-se dessas revistas com saudade. Elas ficaram para sempre ligadas a acontecimentos da juventude - essa uma das razões que faz com que as nossas revistas antigas sejam cada vez mais procuradas.
O mesmo já não acontece com as actuais revistas de BD, que há muito sofrem uma tremenda concorrência da televisão (1). As pessoas, desde muito jovens, habituam-se ao género de episódios televisivos que duram o curto espaço de uma hora. Logicamente, deixaram de ter pachorra para seguir, semanalmente, as histórias de banda desenhada ao antigo estilo do "continua no próximo número".
Esta modificação, não extinguindo o gosto pela BD, muito generalizado em todas as camadas sociais e escalões etários, veio, contudo, beneficiar uma outra forma de publicação: os álbuns.
Com efeito, tem-se assistido nestes anos mais recentes, a um autêntico "boom" no que se refere a este tipo de edições (2). O que levará o público juvenil - e cada vez mais, também os adultos - a optarem pelos álbuns em detrimento das revistas periódicas?
Além da razão já apontada anteriormente - o hábito criado pelo visionamento das séries de televisão -, poder-se-á apontar para o atraente aspecto gráfico dos álbuns e a sua fácil arrumação nas estantes.
Este hábito ainda novo, mas cada vez com mais adeptos, faz com que tenham surgido editoras que apostam unicamente na edição de BD em álbuns. E assim vai renascendo o gosto pelas Histórias aos Quadradinhos, agora apresentadas em figurino porventura mais atraente para as novas gerações. E assim, também, vai nascendo um novo tipo de coleccionismo, o dos álbuns de banda desenhada. Que até já se pode subdividir em dois temas: BD Portuguesa e BD estrangeira.
Há ainda outro tipo de publicações que começa a ter muitos adeptos, em especial entre aquela camada de pessoas que gosta de aprofundar os conhecimentos: são os livros de estudo, análise e historiografia da Banda Desenhada.
No que se refere aos álbuns, estes últimos meses foram particularmente profícuos, e deles se traça, em seguida, um breve panorama.

ÁLBUNS DE BD
EM AVALANCHE

Natal e Fim-de-Ano - uma época que as editoras escolhem para o lançamento em força das suas edições. A Banda Desenhada teve largo quinhão nesta avalanche, que se tornou flagrante em algumas livrarias. Cite-se, como exemplo, a "Castil" (3) do Centro Comercial de Alvalade, que está a tornar-se num caso sério no que se refere à quantidade e qualidade das obras expostas.
No lote de peças importadas, destaca-se o "The Smithsonian Collection of Newspapers Comics". Não se trata, neste caso, de um álbum. Mas seria grave omissão não se mencionar aqui esta fabulosa recolha de "Sunday pages" dos jornais americanos, reproduzidas em tonalidades que não andarão muito longe das originais. Esta magnífica peça tem, como é fatal, um preço pouco acessível à maioria das bolsas: 4560$00! (4) O felizardo que escreve estas linhas teve a sorte de adquiri-la em Londres, há cerca de quatro anos, por oito libras e meia...
Passando às recentes edições nacionais, que apareceram em razoável abundância - em certa medida, superior às disponibilidades monetárias dos interessados -, podem citar-se alguns dos títulos expostos nos escaparates:
Barbarella - "A obra-prima"; Barba Ruiva - "O Demónio das Caraíbas"; Valérian - "Metro Chatelet, Direcção Cassiopeia" e "Pelos Caminhos do Espaço", na colecção 16/22; Blueberry - "Forte Navajo"; de Bilal, mais um título: "Memórias d'Além-Espaço"; Floc'h, que teve a sua estreia em Portugal no Jornal da BD, aparece agora também em álbum com o interessante "Encontro em Sevenoaks"; Corin, o grumete - "Rumo ao Ouro"; Léonard - "Génio a tempo inteiro"; Michel Vaillant, o popular herói, carrega no acelerador no percurso "Paris-Dakar!". Todos estes títulos pertencem à fornada natalícia de Meribérica/Líber, que fornece assim BD para todos os gostos.
A Editorial Presença, que teve boas tradições na BD, editou agora um álbum que explora a voga de ficção científica nas séries televisivas. Intitula-se "Esquadrão das Estrelas", e parece tentar assemelhar-se graficamente - com fracos resultados... - à famosa série inglesa Dan Dare. Desta mesma editora vê-se também uma série de livros dedicados ao ensino das técnicas de desenho, esses sim, de muito boa qualidade. Deles voltaremos a falar.
Das Publicações Dom Quixote saiu mais um volume, o décimo sexto da colecção A Descoberta do Mundo. Nele se podem ver/ler os episódios Mungo Park, com desenhos de Eduardo Teixeira Coelho, e Tombuctu, cidade proibida ilustrada por Enric Sió; da "História do Far-West", apareceu o 3ºvolume.
Da Editorial Futura, que teve magnífica actividade este ano, está ainda fresco O Incal Luminoso, de Moebius; também da "Antologia da BD Clássica" apareceu mais um volume, o oitavo, que engloba tiras diárias de Johnny Hazard, um excelente Frank Robbins dos anos cinquenta; quanto à Antologia da BD Portuguesa, estão à venda os dois primeiros volumes do Caminho do Oriente, de Raul Correia e E.T.Coelho.
Os Escorpiões do Deserto, de Hugo Pratt, e mais um Alix, no episódio "O Deus Selvagem", foram os títulos lançados em Dezembro pelas Edições 70.
Comès e Silêncio. Um autor e uma obra, ambos de qualidade. A surpresa veio da Bertrand. Desta mesma editora, actualmente com escassa produção na área da BD, vimos ainda um álbum de Thorgal, sob o título "A feiticeira traída"; mais um Astérix, ou melhor, o filho do dito; e ainda, estreia de dois autores: Jean-C. Denis, com um novo herói: Rup Bonchemin, no episódio "O chalé perdido", e Carlos Gimenez com Koolau o leproso.
Da Distri Editora surgiram, nos últimos meses do ano que findou, um conjunto de álbuns que apostam em três heróis de grande popularidade: Bernard Prince ("Aventura em Manhatan" e "O Porto dos Loucos"); Comanche ("O Dedo do Diabo" e "O Diabo Gritou de Alegria"); Michel Vaillant ("Óleo na Pista" e "O Circo de S. Francisco"). As nossas preferências vão para as duas séries citadas em primeiro lugar, quer pela qualidade dos argumentos, a nível de emoção, quer pelo excelente estilo do respectivo artista gráfico - Hermann, em ambos os casos.
Da Editora Vega -uma novidade que surpreendeu cá o escriba: um álbum que inclui três bandas desenhadas de E.T.Coelho: "O Tesouro", "Suave Milagre" e "O Defunto", todas baseadas em contos de Eça de Queirós. A apresentação é de muito bom gosto. Será para continuar?
...
Deste ramalhete de álbuns extrai-se facilmente uma conclusão: havendo dinheiro, não faltam álbuns para enriquecer os acervos dos coleccionadores.

(1) (2) Relembro que este artigo foi publicado em 1984 (por acaso até houve uma revista espanhola com este ano por título, que coleccionei.
(3) Já fechou
(4) Ainda não tinha sido criado o euro.

sábado, janeiro 21, 2012

Violência/Tortura na BD (VI) - Autores: Joe Kubert e Adam Kubert


A violência e a tortura atingiram níveis inimagináveis durante a 2ª Guerra Mundial, apesar de mostrados à saciedade em imagens do cinema e da banda desenhada.

Sgt Rock é um militar americano que se move no cenário daquela guerra, e embora seja um herói dos "comics" americanos, não ostenta as características que mais distinguem as figuras que preenchem a galeria heróica da BD americana.

Esta singularidade fica bem provada no episódio incluído na revista Wednesday Comics, contado entre os números 1 e 12 (de 8 de Julho a 23 Setembro 2009), onde o sargento Rock é torturado pelos nazis, resiste estoicamente aos violentos interrogatórios, e acaba por ser salvo pelos seus soldados, guiados por uma partisan, neste caso uma combatente judaica.

O episódio teve argumento de Adam Kubert e desenhos de Joe Kubert - autor acerca do qual escrevi uma breve biobibliografia no post de 27 Nov.2011 - graças a um desenho e respectivo autógrafo (ver na coluna "Categorias" da home page, e clicar no item "Autógrafos desenhados")..
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Para ver as cinco postagens anteriores bastará clicar na etiqueta "Violência/Tortura na BD" visível no rodapé

terça-feira, janeiro 17, 2012

Concursos de BD



Participar num concurso de BD constitui boa experiência para quem gosta de fazer banda desenhada, mas não sabe como há-de fazer para divulgar as tentativas que vai fazendo e guardando na gaveta.

Ora por falar em concursos de banda desenhada - e não é por mero acaso que o faço mais uma vez, obviamente - venho divulgar que recebi há três dias o texto do regulamento do concurso que se realiza anualmente em Odemira.
Ei-lo:

REGULAMENTO

1. TEMA LIVRE!

2. Quem pode concorrer?
Toda a gente, desde que tenha pelo menos 16 anos e daí para cima não há limite de idade!

3 - Prémios
1º - 300€
2º - 150€
3º - 75€3

4. As bandas desenhadas participantes terão de ser inéditas.

5. As pranchas terão de ser apresentadas em folhas de formato A3

6 - Cada concorrente poderá participar com mais do que uma bd, desde que as envie separadamente e com pseudónimos diferentes

Pela segunda vez este bloguista faz o seguinte comentário:
O regulamento é omisso no que se refere ao número mínimo e máximo de pranchas para cada banda desenhada.


O que parece significar que as obras podem ter a quantidade de pranchas que o autor quiser.
O regulamento é igualmente omisso no que se refere à execução das bandas desenhadas poderem ser a preto e branco ou a cores, pelo que, presume-se, também isso ficará ao critério dos autores concorrentes.

7 - Nas pranchas das bedês não pode constar nada que identifique o autor, sob pena de ser excluído.

8 - Juntamente com cada obra, o concorrente deverá enviar um envelope com o seu pseudónimo no exterior, enquanto que no interior terão de constar, bem legíveis, os seguintes elementos identificativos:
a) nome completo
b) morada
c) nº de telefone

9 - As pranchas têm de ser numeradas e assinadas com o pseudónimo no canto inferior direito.

Comentário deste bloguista
Mais uma vez chamo a atenção dos organizadores para que:
apenas exijam a colocação do pseudónimo no verso das pranchas, para que estas não sejam danificadas com um pseudónimo que o autor não poderá voltar a usar em concurso.

Como o item se mantém inalterado, volto a deduzir que:
a) Ou não leram o comentário que fiz neste blogue
b) Ou não concordaram....
O que o regulamento deveria aconselhar (e não obrigar) seria que os autores das bedês deixassem um espaço em branco, no canto inferior direito, onde, posteriormente, poderiam assinar com o seu nome artístico.


10. Deverão ser entregues 3 cópias de cada prancha A3 das bandas desenhadas a concurso.

11. As bandas desenhadas poderão ser entregues directamente no Balcão Único (BU), ou por correio, em carta fechada (neste caso, através de registo com aviso de recepção)
até ao dia 20 de Fevereiro.

A morada é a seguinte:

Município de Odemira
Praça da República
7630-139 ODEMIRA


Nota - Em 17 de Março será inaugurada a exposição com as bandas desenhadas participantes no concurso
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A imagem que ilustra o presente "post" é de uma banda desenhada vencedora de um dos concursos anteriores de Odemira
Autoria: José Joaquim Vaz Ferreira - Porto

quarta-feira, janeiro 04, 2012

Comic Jam - 36ª prancha

Claudino Monteiro, na sua qualidade de Convidado Especial da Tertúlia BD de Lisboa, no encontro de 3 de Janeiro, inventou a vinheta inicial do "comic jam", a bem conhecida forma de improvisar uma banda desenhada, habitualmente feita nesta tertúlia por seis autores de BD.
A ilustrar o presente "post" fica o resultado final, em que participaram:

1. Claudino Monteiro
2. Pepedelrey
3. Álvaro
4. João Sequeira
5. Paulo Marques
6. Nuno Duarte "Outro Nuno"

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Os interessados em apreciar umas dezenas de peças gráficas deste género, poderão fazê-lo clicando no item Comic Jam inscrito no rodapé

domingo, janeiro 01, 2012

Tertúlia BD de Lisboa - 330º Encontro - Janeiro 2012


Uma das mais importantes finalidades da Tertúlia BD de Lisboa é a de proporcionar a oportunidade aos novos autores de banda desenhada de se darem a conhecer aos numerosos participantes daquela associação informal.

Assim acontecerá em 3 de Janeiro de 2012, com Claudino Monteiro como Convidado Especial da TBDL, no seu 330º encontro, o que funcionará como incentivo,
Trata-se de um autor praticamente desconhecido, que falará de si próprio, da sua ainda curta obra, e dos seus projectos nas áreas em que desenvolve a sua actividade, designadamente na BD.

Aliás, de uma forma bem pragmática, ele será apresentado aos tertulianos por uma bd de quatro pranchas totalmente de sua autoria (argumento, desenho e colorização) feita propositadamente para o fanzine Tertúlia BDzine (nº 168), que será distribuído a todos os participantes em mais este encontro bedéfilo, que, tal como sempre, terá lugar no Parque Mayer, no único restaurante que ainda lá funciona.

As imagens que ilustram este "post" pertencem a:
1ª) "Decoração Urbana. Quotidiano de uma fabulosa" (Desenho de Claudino Monteiro, argumento de Eduardo d'Orey)
2ª) "Revisionismo. Desencontro de culturas" (Desenho de Claudino Monteiro, argumento de Eduardo d'Orey)
3ª) "Cigarro" (Desenho e argumento de Claudino Monteiro)
4ª) Capa de A Peste nº7 (Ilustração de Claudino Monteiro)

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CLAUDINO MONTEIRO

Biobibliografia

Claudino Mendes Brito Monteiro é filho de cabo-verdianos, mas nasceu em Lisboa, a 15 de Abril de 1981, tendo a nacionalidade portuguesa.

Completou o 12º ano na área de Artes e Ofícios na Escola Secundária António Gedeão (concelho de Almada).
Frequentou depois a Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa - FBAUL, no curso de Artes Plásticas/Pintura, até ao 3ºano, que ficou incompleto.
Em Dezembro de 2011 terminou um curso de Técnico de Multimédia (nível 4), o que lhe possibilita trabalhar actualmente como web designer.

Aos onze anos ganhou um prémio num concurso cujo tema era "retratos dos pais pelos filhos", para o qual fez o seu primeiro retrato realista, tendo por modelo o próprio pai.

Ainda no período escolar ganhou três prémios na área da Ilustração, para campanhas publicitárias de produtos alimentares.

Em 2003, já depois de ter desistido da faculdade, participou num concurso de banda desenhada promovido pelo Centro Comercial Almada Fórum, tendo obtido o 2º lugar.

Após ter estado a trabalhar na Escócia, entre 2003 e 2005, voltou para Portugal, tendo concorrido com a bd O Último Cigarro (quatro pranchas a preto e branco) ao concurso de 2006 do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora. Não obteve qualquer prémio, mas foi com ela - embora com o título alterado para Cigarro - que iniciou a sua colaboração em A Peste (nº5 - 2007), onde também foi reproduzida a bd Revisionismo. Desencontro de Culturas sob argumento de Eduardo d'Orey, e fez também a ilustração da capa, tarefa que voltou a executar nos nºs 6 e 7.

Na mesma publicação, além das duas bedês citadas, tem mais as seguintes: Decoração Urbana. Quotidiano de uma fabulosa (nº6 - 2009), de novo a colaborar com o mesmo argumentista (e editor de A Peste), e a bd Revolta Torta, desta feita "a solo", no fascículo editado em 2010,com o nº7, último publicado até ver. Nesse mesmo número, outra vez como autor completo, realizou as curtas (2 pranchas cada), O Motorista que queria ser porteiro de discoteca e Porque não se vende BD em Portugal.
No que se refere à bd intitulada Revolta Torta, feita em quatro pranchas a preto e branco, Claudino diz que ela já cresceu para muitas mais páginas que talvez em 2012 vejam a luz do dia.

O que de certeza vai já ser publicada no início de 2012, no dia 3 de Janeiro, é a sua primeira banda desenhada a cores, em quatro pranchas, a Reunião dos Seres Encantados, no Tertúlia BDzine nº 168, um fanzine que é oferecido a todos os participantes na Tertúlia BD de Lisboa.

Claudino Monteiro tem talento diversificado, o que lhe permite abarcar vários quadrantes artísticos. Além de trabalhar essencialmente como Web-Designer, e de realizar BD de forma esporádica, faz caricaturas em casamentos, baptizados e outros eventos, retratos por encomenda (neste caso, com frequência), e também executa "design" para tatuagens.

Podem ver-se alguns exemplos destes seus trabalhos em:
http://www.klaw.hourb.com/
http://www.wix.com/klawdyno/klaw

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Lista de presenças na TBDL (elaborada "a posteriori")

1. Adelina Menaia
2. Afonso Oliveira
3. Álvaro
4. Ana Saúde
5. António Isidro
6. Cátia Alves
7. Clara Queiroz Pourbaix
8. Claudino Monteiro (Convidado Especial)
9. Eduardo d'Orey
10. Geraldes Lino
11. Helder Jotta
12. Isabel Viçoso
13. João Alves
14. João Antunes
15. João Figueiredo
16. João Sequeira a.k.a. JAS
17. Manuel Valente
18. Miguel Ferreira
19. Milhano
20. Moreno
21. Nuno Duarte "Outro Nuno"
22. Nuno Fonseca
23. Olivier Pourbaix
24. Paulo Marques
25. Pedro Bouça a.k.a. Hunter
26. Pedro Faria
27. Pepedelrey
28. Petra Marcos
29. Rechena
30. Rui Domingues
31. Sá-Chaves, João Paulo
32. Sandra Oliveira
33. Simões dos Santos
34. Vasco Câmara Pestana
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