domingo, dezembro 31, 2006

Visão (1975/76), revista de Banda Desenhada portuguesa (XI) - Falando hoje com... Zepe

Foto de Zepe, tirada no seu estúdio privativo


Zepe é um dos autores que se destaca na excepcional revista Visão (1975/76) de BD, tendo realizado, desde o número inicial, várias bandas desenhada a preto e branco e a cores, num estilo que rompia as margens estéticas em voga na época.

É o nono autor a ser entrevistado neste ciclo, dedicado aos autores/artistas que, subitamente, alteraram o panorama da BD portuguesa que se tinha imposto até então.

A primeira bd a cores de Zepe na Visão, saiu no nº 5 de 1 de Junho de 75


G.L. - Zepe, diz-me o teu nome completo
Zepe - José Pedro Tinoco Cavalheiro
G.L. - Onde nasceste, e quando?
Zepe - No Porto, em 1956.
G.L. – O que significou para ti a Visão?
Zepe – Vamos lá a ver. Na altura em que a Visão começou, eu já tinha publicado umas tantas ilustrações e bandas desenhadas, mas pouca coisa: nos jornais Diário de Lisboa, República, Capital, e numa revista chamada Seara Nova.
Na altura trabalhei com um tipo chamado Sttau Monteiro, num suplemento do Diário de Lisboa chamado "Mosca": fazia ilustrações para as crónicas dele – muitos dos cartunes que fiz para lá foram censurados ou até apreendidos, e eu não recuperava os originais.
Um dos métodos que a Censura tinha na altura era carimbar com a palavra "censurado" a vermelho sobre os originais, o que inviabilizava a reprodução posterior.
Tinha eu nesta altura dezasseis anos.
Um ano mais tarde tive um contacto com o Victor Mesquita e com o Carlos Barradas, que me propuseram trabalhar na revista Visão.
Nessa altura já tinha ocorrido o 25 de Abril, e foi aí também que conheci o Pedro Massano, o Zé Paulo e o Duarte.

Prancha inicial (1 de 3) da bd O Maravilhoso Mundo de Fred Zeppelin - in Visão nº 7, de 10 de Outubro de 1975

G.L. - Em Abril de 1975, tinhas dezanove anos, o que é que fazias? Ainda estudavas, claro.
Zepe – Sim, estava a tirar o 7º ano do Liceu.


Última prancha (de um total de três) da bd Encontro numa estação vazia às cinco e meia da tarde (Visão nº 8, de 10 de Novembro de 1975) Última prancha, de um conjunto de cinco, da derradeira bd de Zepe na revista Visão (nº 9, de 20 de Janeiro de 1976). Repare-se na originalidade de o título da obra, O Anfitrião, aparecer no canto inferior direito, indicando também os nomes dos restantes elementos que nela colaboraram

G.L. – Que fizeste em BD depois de Maio de 1976, data do fim da Visão?
Zepe – Colaborei com uma revista belga chamada Bitume, fiz para lá algumas bandas desenhadas.

G.L. – Extensas?
Zepe – Não. Eram de quatro pranchas cada, e sairam durante quatro números.
Quando fui para a Bélgica, estudar Animação, em 1976, raramente fiz BD. Ainda fiz algumas tentativas de trabalhos para levar a revistas, mas nunca chegava a acabá-las, ou nunca se proporcionava ocasião para publicação.
Posso dizer que, quando comecei a estudar Animação, e depois a fazê-la, foi na Bélgica, onde fiz o Curso Universitário de Cinema de Animação, completado ao fim de cinco anos, na École Nationale Supérieure d'Architecture et Arts Visuels.
Quando voltei, em 1981, isto era um deserto. Havia uma crise económica brutal - e eu comecei a perceber que nem com a Ilustração, nem com a Banda Desenhada, nem inclusivamente com a Publicidade, eu poderia subsistir.
A única pessoa com quem trabalhei na altura, em Animação, foi com o José Abel. Trabalhei com ele à volta de dois anos. E depois foi assim: como em Portugal as coisas não evoluiam a não ser no campo da Publicidade, eu estava mais interessado em profissionalizar-me em Animação. E então contactei um estúdio húngaro de Animação, e foi-me atribuída uma bolsa durante um ano.

G.L. – Por quem?
Zepe – Por um estúdio chamado Pannónia Film Studio, que era um estúdio do Estado húngaro. Estamos a falar de 1986, e o que eu fiz foi cenários para filmes e efeitos especiais para Animação.

G.L. – E BD na Hungria?
Zepe – Não havia nada.
Depois, quando voltei, comecei a dar aulas de Animação na Gulbenkian, e o mercado de Publicidade, em 1987, estava a melhorar. Comecei nessa altura a colaborar com o Nuno Amorim, sobretudo em Publicidade.
Foi por essa altura também que começaram a ser atribuídos subsídios pelo IPACA (depois substituído pelo ICAM - Instituto de Cinema, de Animação, Audiovisuais e Multimédia) a curtas metragens de Animação.

G.L. – Em vez de BD, o que é que tens feito para ganhar a vida?
Zepe – É assim: dou aulas.
Durante dezoito anos dei aulas na Gulbenkian, de Banda Desenhada e Animação. Isto para além de outros cursos, como, por exemplo, de Ilustração e Argumento.
Eu dirigi uma coisa na Gulbenkian, que era o CITEN – Centro de Imagem e Técnicas Narrativas, e que tinha cursos de Argumento, Ilustração, Cinema de Animação e de Banda Desenhada. E fui professor das últimas duas,
Esse Centro neste momento passou para as Belas Artes, ou melhor, para a FBAUL – Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, enquanto Centro de Investigação., e dirijo os mesmos cursos lá.
Para além de orientar esses cursos, eu lecciono Animação na Licenciatura de Arte e Multimédia.
Paralelamente a isto, ao longo deste tempo, nos últimos dez anos, fiz cerca de cem filmes publicitários e genéricos de televisão, e três filmes de autor, apoiado pelo ICAM: Stuart, Cof Cof e Cândido.
A partir de Março vou fazer uma série de Animação para crianças.

G.L. – Há algum projecto de BD que ainda um dia gostasses de concretizar?
Zepe – Pá, eu gostaria de tentar de novo, repegar na questão da BD, mas o problema é que é difícil conjugar a BD com outras actividades: se tu começas a fazer um álbum, ficas dois anos dedicado a isso, e a Animação é uma coisa que já me absorve imenso tempo.
Mas é natural que, no futuro, tendo alguma estabilidade em termos universitários, possa parar durante algum tempo, e dedicar-me a um projecto
De qualquer maneira, seria sempre mais experimental do que comercial.

Entrevista e foto
Geraldes Lino

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"Posts" remissivos sobre a revista VISÃO (de Banda Desenhada)
(X) Novembo, 26 - Nuno Amorim
(IX) Setembro, 12 - Duarte
(VIII) Julho, 9 - Carlos Barradas
(VII) Junho, 30 - Zé Paulo
(VI) Junho, 15 - Corujo Zíngaro
(V) Junho, 13 - Isabel Lobinho
(IV) Maio, 31- Pedro Massano
(III) Maio, 30-Victor Mesquita
2ª Parte - Entrevistas a autores-artistas da revista
2006 (ver acima)

(II) Dezembro, 11
(I) Dezembro, 10
1ª Parte - Textos generalistas acerca da revista
2005 (ver acima)

Há ainda outro "post" (data: Junho 19), esse dedicado ao tema Lisboa na Banda Desenhada, em que se podem observar duas imagens (óptimas, vale a pena vê-las) da autoria de Zé Paulo, ambas extraídas da revista Visão http://divulgandobd.blogspot.com/search?updated-min=2006-01-01T00%3A00%3A00Z&updated-max=2007-01-01T00%3A00%3A00Z&max-results=50http://divulgandobd.blogspot.com/search?updated-min=2006-01-01T00%3A00%3A00Z&updated-max=2007-01-01T00%3A00%3A00Z&max-results=50

4 comentários:

CSOR2000 disse...

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Luís Graça disse...

Fico sempre espantado. O pessoal da Animação é mesmo constituído por heróis. É um trabalho de paciência e muita coragem. Anos de trabalho para minutos de filme.
Parabéns ao Zepe. Gostei imenso de ver o "Suart" na Culturgest, por ocasião da divulgação dos Prémios no Cinanima.

Anónimo disse...

grande

Anónimo disse...

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